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Mães e filhos

Betty Milan fala de afeto e de meio século de revoluções políticas em texto autobiográfico

LAURA GREENHALGH, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2013 | 02h16

São duas dezenas de títulos numa carreira literária de quatro décadas. Passou pelo ensaísmo, pela crônica, pela dramaturgia, pelo romance. Mas jamais mergulhara tão fundo no veio autobiográfico. Assim a escritora e psicanalista Betty Milan se refere a Carta ao Filho (Record, R$ 29,90), que chega às livrarias no dia 15. Em 156 páginas, a autora se dirige ao único filho, o cineasta e documentarista Mathias Mangin, num momento de ruptura entre ambos. Estavam separados, mutuamente magoados, sem se falar. "Escrevi de início como consolo, para suportar a dor da separação. Depois admiti que a carta poderia virar livro e ser divulgada", explica Betty.

O filho recebeu um relato singularíssimo da mãe. Filho de Betty e do historiador francês Alain Mangin, Mathias cresceu entre São Paulo e Paris, em lares de ambiente intelectual e cosmopolita. É um franco-brasileiro de 30 anos. Quanto ao público, que embarca de carona numa preciosa confissão materna, a chance é atravessar meio século de movimentação social, fatos políticos marcantes e muita contracultura. Tudo começa na São Paulo dos imigrantes libaneses, como os Milan, cruzando a trajetória de uma menina educada em família rica e tradicional, a própria Betty, que aos 18 anos entra na Faculdade de Medicina da USP, "numa classe com cinco alunas, o resto, só homens". O pioneirismo se instalou de vez na vida desta mulher que optou pela psiquiatria, indo logo trabalhar no hospital do Juqueri, seguindo depois para Paris, onde fez formação em psicanálise com Jacques Lacan - de quem foi também assistente e tradutora.

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