Madri abriga mostras com 130 obras do impressionismo

O jardim é o tema mais óbvio e panorâmico que se poderia relacionar ao impressionismo, movimento de artistas franceses do fim do século 19 que, entre outras radicalidades para a época, promovia a inovação de pintar o que se via, trabalhando ao ar livre. Entretanto, só agora é realizada a primeira exposição monográfica dedicada aos "Jardins Impressionistas", título da mostra que acaba de ser inaugurada em dois espaços de Madri, o Museu Thyssen-Bornemisza e a Fundação Caja Madrid. Reúne, de uma vez, 130 pinturas, assinadas por mestres como Cézanne, Manet, Renoir, Pissaro, Monet, Van Gogh, tantos outros, pertencentes a coleções de museus de todo o mundo.

AE, Agência Estado

29 de novembro de 2010 | 11h33

Primeiramente, a exposição foi apresentada na National Gallery da Escócia, em Edimburgo. Desde 2004, o Thyssen-Bornemisza, segundo seu diretor, Guillermo Solana, firmou parceria com a instituição escocesa para a empreitada de realizar a mostra, orçada, como diz, em cerca de 1 milhão de euros. "O governo da Espanha nos ajudou com a questão do seguro dos quadros porque não seria possível arcar com isso e com o custo de trazer obras de diferentes países como Austrália e Japão", diz Solana. Mas, como se vê, a maioria das pinturas são provenientes dos EUA, principalmente, do Metropolitan Museum, de Nova York. Em Madri, a mostra é apresentada de forma ampliada.

Entretanto, da beleza natural das obras impressionistas, do "trabalho espontâneo", definiu Claude Monet (1840-1926), de se criar a partir da observação direta e apurada dos jogos de luz e cores do mundo vivo, há espaço na exposição para outras abordagens, como o retrato de trabalhadores simples das hortas ou "jardins produtivos" por Camille Pissarro (1830-1903). Na homenagem singela do artista, que pintava cenas de seus próprios "huertos", camponeses se dedicavam ao "jardim como o lugar de dar de comer à família", diz Solana, completando ser Pissarro um "anarquista" para a época.

A curadoria da mostra, assinada pelos diretores das instituições espanhola e escocesa e por Clare A. P. Willsdon, professora da Universidade de Glasgow, estipulou um trajeto para a mostra começando pelos precursores do impressionismo - com flores e campos pintados pelos artistas da Escola de Barbizon, Corot, Millet e Delacroix. O impacto se dá, no trajeto, com a chegada à vibração do verde no quadro "Castanho e Tanque Em Jas de Bouffan" (1874-1975), de Paul Cézanne. A partir desse momento, abre-se um percurso por salas com obras que tratam do registro da fugacidade de momentos de prazer nos jardins, como em "A Partida de Croquet" (1873), de Édouard Manet, e até as obras de uma motivação naturalista, por Gustave Caillebotte.

Já na Caja Madrid, está o pós-impressionismo. Com telas criadas até 1920, inclui-se, nesse espaço, a quase abstração motivada pela pulsão psicológica de Van Gogh (seu jardim é claustrofóbico); e um "Bulevar" pintado antes da vanguarda russa, por Malévich. Mas o principal destaque é "Rosas Sob Árvores" (1904), tão moderno, até hoje, de Gustav Klimt. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Tudo o que sabemos sobre:
exposiçãoimpressionismoMadri

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.