Madonna vai à missa

Um longo e provocativo culto às avessas rege a nova turnê da popstar, que chega ao País em dezembro

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2012 | 03h08

Madonna estilhaça catedrais, explode púlpitos e vitrais, testemunha (e executa) sacrifícios humanos à sombra de cruzes flamejantes, derrama sangue e faz alianças com deuses e anjos caídos. Madonna participa de rituais cristãos e pagãos, de missas negras e sessões de vodu e atos de bruxaria. Seu show, talvez o ato de maior impacto de sua carreira, é uma violenta (e soturna) investida contra a fé cega, o pecado, a culpa e a decisão de colocar o destino nas mãos de profecias, gurus e sacerdotes. Madonna blasfema e reza, se despe e se penitencia, é seviciada e sevicia.

Aberta com um canto gregoriano numa espécie de Notre Dame virtual, a excursão MDNA Tour 2012, a nova ambição loira de Madonna, tomou conta do Estádio San Siro, em Milão (Itália), na noite de anteontem. Cerca de 60 mil pessoas testemunharam essa espécie de oração às avessas, que percorre 32 países (começou em Tel Aviv em 31 de maio) e chega ao Brasil em dezembro. Fará shows nos dias 1º de dezembro no Rio de Janeiro; 4 e 5 de dezembro no Estádio do Morumbi, em São Paulo; e 9 de dezembro em Porto Alegre. Em São Paulo, os preços estão entre R$ 170 e R$ 850. A cantora viaja com um batalhão de 300 pessoas.

A MDNA Tour foca na desconstrução de dogmas e é um exame da própria condição crepuscular da pop star - aos 53 anos, Madonna Louise Veronica Ciccone canta sua antiga antena pop, Like a Virgin, de forma chorosa, acústica, sozinha com um pianista no meio da passarela do concerto. Mesmo um fã extremado de Madonna vai demorar um pouco para reconhecer a canção.

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