Madeira nobre

Caixa de CDs e shows festejam 30 anos do grupo Pau Brasil

EMANUEL BOMFIM, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2013 | 02h08

Nem só de rock vivem as efemérides dos 30 anos de existência. Em meio ao culto nostálgico da turma dos anos 80, de Titãs, Barão, Paralamas e Kid Abelha, outro importante patrimônio da música brasileira cobra seu espaço nesta vibe revivalista. E com razão: não há como ignorar o valor do trabalho desempenhado pelo Pau Brasil nas últimas três décadas. Na música instrumental - ainda que esta classificação soe genérica demais - o quinteto criado pelo pianista Nelson Ayres ocupa um lugar de relevância. São méritos sustentados por uma linguagem que se sobrepõe ao time de craques. "Se não tivesse uma ideia por trás, o grupo tinha passado. O Brasil é um continente musical a ser explorado e isso sempre nos motivou", sintetiza o baixista Rodolfo Stroeter, único que participou de todas as formações do Pau Brasil.

O olhar para este esplendor do passado vem embalado num box luxuoso, que recebeu o nome de Caixote. Nele, estão contidos os oitos discos da carreira (só ficou de fora o tributo a Villa-Lobos), o DVD Babel (1996) e um livreto com a história da banda, assinado pelo jornalista Carlos Calado. Apesar do lançamento culminar com o aniversário de 30 anos, a caixa vem sendo elaborada desde 2006, quando o projeto foi aprovado na Lei Rouanet. Só em 2011 saiu efetivamente do papel, após captação junto aos patrocinadores Caixa e Petrobrás. Com o dinheiro garantido, se seguiu o tortuoso e burocrático trabalho das liberações das licenças, o levantamento de material inédito, além da reconstituição histórica da trajetória do grupo. "Lembrar destes 30 anos é muito complicado... Nem sempre o que eu falo é o que o Nelson diz", brinca Stroeter.

Se há um consenso, ele está no título do grupo, expressão de uma música brasileira de projeção internacional. "Vem dessa utopia brasileira. Esse Brasil que a gente toca eu acho que não existe. É um Brasil sonhado, meio cabralino", filosofa. Mesmo em sua diversidade, capaz de flertar até com a tradição indígena, o Pau Brasil sempre evitou o hermetismo. Uma das chances para constatar a vibrante performance do grupo será neste fim de semana, nos dois shows que o Pau Brasil irá fazer no Sesc Pompeia.

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