Macacos são desafiados a recriar Shakespeare

A tese é simples e já serviu a muitas especulações literárias: se um número infinito de macacos tiver à mão um número infinito de máquinas de escrever, em algum momento será recriada a obra de, digamos, Shakespeare. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, resolveu testá-la com um grupo de seis macacos, e o resultado foi pífio: os animais atacaram o computador e não produziram nenhuma palavra.O grupo, composto por estudantes e professores de comunicação, deixou um computador dentro de uma jaula do Zoológico de Paignton, ocupada por seis macacos de Sulawesis, na Indonésia. Inicialmente, como relatou o pesquisador Mike Phillips, "o líder macho se armou de uma pedra e golpeou o computador. Outra coisa que lhe interessou foi defecar e urinar no teclado."Num segundo momento, porém, os animais passaram a teclar. Ao final da experiência, foram produzidas cinco páginas de texto e nenhuma palavra. Como resultado objetivo da pesquisa, o grupo aponta também que os macacos usaram preferencialmente as letras S, A, J, L e M. "Obviamente, o inglês não é a primeira língua deles", brinca Phillips. Segundo ele, mais do que uma finalidade científica, o projeto tinha por meta criar um "espetáculo", daí ter sido financiado pelo Conselho de Artes da Inglaterra.A idéia de que macacos recriariam Shakespeare - e, eventualmente, o superariam - desde que munidos de máquinas de escrever e a eternidade é atribuída a Thomas Huxley, influenciado pela obra de Charles Darwin. Na matemática, serve para ilustrar probabilidade e acaso.

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