Macabéa é tema de coreografia

Neste fim de semana o público amante da dança poderá conferir o espetáculo Estudo para Macabéada bailarina e coreógrafa Vera Sala. As apresentações do sábado às 20 horas, e do domingo às 19 horas, fazem parte do projeto Oswald Convida, da Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363, tel. 221-5558), e foi realizada sem patrocínio."A coreografia foi criada após a leitura do livro A Hora da Estrela, de Clarice Lispector," conta Vera. "Reconheci algumas características em comum entre a personagem Macabéa e o meu trabalho, como a perda do limite do interior e exterior, o corpo fragmentado, o tempo esgarçado, enfim, busquei representar a fisicalidade da personagem, não contar a história ou a trajetória dela."A partir desse viés, a coreógrafa deu continuidade à sua pesquisa em buscar desdobramentos corporais e no estudo do corpo fragmentado. "Quanto a Macabéa, estarei infinitamente perseguindo-a, ou ainda, usando as palavras da autora do livro: vejo Macabéa mas não a alcanço", diz.O projeto tem como concepção visual o trabalho que Rachel Zuanon desenvolveu, por meio do qual um vídeo é apresentado durante o espetáculo: "Ele está presente na coreografia como um elemento físico, é como se eu dançasse com as imagens" explica Vera. A estréia de "Estudo para Macabéa" ocorreu em 1999. No entanto, a pesquisadora continuou seus estudos e, segundo ela, o que há de diferente nesta apresentação é a maturidade. "Um trabalho para estar pronto precisa de, no mínimo, um ano e meio de pesquisa."E a aí está o problema. "Um pesquisador precisa ter tempo para dedicar-se ao desenvolvimento de sua pesquisa, não pode dividir-se com atividades paralelas; e sem patrocínio isso é praticamente impossível." Ela diz que continua criando porque essa é uma maneira de dialogar com o mundo. "Aquilo que é criado é uma forma de conhecimento e isso nos leva a seguir.""A produção de um espetáculo é cara e sem patrocínio optamos por reduzir gastos; se tivéssemos mais verba poderíamos apresentar um produto melhor." Vera recebe os cachês de suas apresentações e tem o apoio do Espaço Ruth Rachou de dança, que lhe oferece uma sala para ensaiar.

Agencia Estado,

21 de setembro de 2000 | 19h17

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