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MAC recebe quatro pinturas de Volpi

Obras apreendidas pela Justiça e avaliadas em R$ 12 milhões foram depositadas em comodato na nova sede do museu

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2013 | 19h57

Quatro telas do pintor Alfredo Volpi (1896-1988) foram depositadas em comodato na nova sede do Museu de Arte Contemporânea (MAC-USP)no Ibirapuera por iniciativa do Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna, que faz a catalogação de sua obra e de outros quatro artistas falecidos (Aldo Bonadei, Ernesto de Fiori, Flávio de Carvalho e Yolanda Mohalyi).

Apreendidas pela Justiça no ano passado, as obras estavam na casa do pintor, no bairro do Cambuci, hoje ocupada por sua neta, Mônica Volpi. Segundo Pedro Mastrobuono, advogado do Instituto Alfredo Volpi, as telas fazem parte da coleção privada do pintor, 47 obras que integram seu espólio, das quais 38 estão desaparecidas. Nove delas foram recuperadas e quatro são mantidas em mãos de colecionadores, considerados depositários fiéis.

“Esses quadros estavam guardados na casa de Volpi, sem condições de segurança ou proteção contra incêndio ou furto”, diz o advogado, justificando sua solicitação à Justiça de que as obras fossem transferidas para o museu, onde deverão permanecer em comodato por cinco anos. A decisão, segundo Mastrobuono, foi aprovada por consenso entre seus herdeiros e a juíza Vivian Wipfli, responsável pelo espólio de Volpi, que produziu mais de 3 mil obras.

O Instituto Volpi catalogou 2.239 obras suas, mas se tem notícia da existência de outras 800 ou até mil, avalia Mastrobuono, isso sem contar trabalhos em papel e azulejos do artista. “As telas que estavam guardadas em sua casa pertencem a uma seleção feita pelo próprio pintor, ou seja, estão entre as melhores por ele produzidas”.

A proposta inicial de comodato deixaria essas quatro telas apenas por um ano no MAC, mas, a pedido do museu, esse prazo foi dilatado para cinco anos, suficiente para que as pinturas possam ser vistas em futuras exposições. Uma delas está em curso no MAC com curadoria do pintor Paulo Pasta, reunindo 18 das 21 telas de Volpi pertencentes ao acervo do museu, a maioria doada pelo crítico, colecionador e psicanalista de origem turca Theon Spanudis (1915-1986).

As quatro telas cedidas ao MAC em comodato não pertencem a uma mesma série. Há um nu de Judite, que foi mulher de Volpi, um retrato do religioso Dom Bosco (1815-1888), sacerdote italiano canonizado em 1934, um retrato da chargista e ilustradora de origem alemã Hilde Weber (1913-1994), que estudou cerâmica e trabalhou na Osirarte, desenhando azulejos ao lado de Volpi na fábrica de Rossi Osir (1890-1959), e uma tela abstrata ainda sem título. Duas telas estavam infestadas de cupins (o nu de Judite e a abstrata, que parece representar leques) e foram encaminhadas para higienização. O retrato de Dom Bosco poderá ser visto a partir de hoje no museu.

As quatro telas ficaram anos sob a guarda dde Maria Eugênia Volpi Pinto, uma das filhas do pintor e inventariante até 2010, quando foi destituída pela juíza Vivian Wipfli por irregularidades no espólio. Em dezembro do ano passado, a Justiça apreendeu nove telas, quatro com a ex-inventariante. Das obras que ainda estão desaparecidas, o advogado Mastrobuono destaca três madonas e um São Bernardo, que ele classifica de “muito importantes”.

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