MAC reabre de cara e "Obra Nova"

O Museu de Arte Contemporânea, o MAC, ficou com cara de museu de verdade. Antes um espaço pouco adequado para abrigar obras de artistas contemporâneos, sua nova sede será reinaugurada amanhã em grande estilo, ainda com o cheiro de tinta fresca das obras concluídas especialmente para a ocasião. A repaginação do espaço, na Cidade Universitária, levou seis meses de reformas, e será brindada com uma grande coletiva, a Obra Nova, que abre para o público a partir de quinta-feira.São ao todo 97 obras: 88 delas de autoria de artistas que já tem alguns trabalhos que pertencem ao acervo do MAC. Eles prepararam para a mostra, como sugere o título, trabalhos inéditos, ou incluíram obras que estavam em execução na época em que foram chamados para expor. Os nove trabalhos que completam a mostra são novas aquisições do MAC de obras de artistas que não estavam representados em seu acervo. Tomie Ohtake, Leda Catunda, Carmela Gross, Júlio Plaza, Dudi Maia Rosa e Ubirajara Ribeiro estão entre os 88 que apresentam as "obras novas". Ana Maria Tavares, Waltércio Caldas e Sandra Cinto, entre as "novas aquisições". A diversidade de nomes traduz a oportunidade de conferir registros de diversas gerações das artes brasileiras. Segundo o diretor do MAC, José Teixeira Coelho, o lugar, transformou-se em "museu de fato", apostando na presença de obras de artistas vivos. O espaço foi setorizado em oito galerias, e também ganhou itens básicos que não tinha, como ar-condicionado e extintores de incêndio, cuja ausência, afirmou Teixeira Coelho, impedia trazer obras de outros países."É o acervo mais importante do Brasil e, quando convidamos os artistas para a reinauguração, eles aceitaram em massa", afimou Teixeira. A escolha dos numerosos artistas, porém, não esgotou as possibilidades, para Teixeira, de fazer uma segunda edição de Obra Nova, ainda sem data marcada, com artistas que não participaram desta mostra e já estão representados por outras obras no MAC. A grande sede do MAC, segundo Teixeira Coelho, fica na Água Branca, e terá cerca de 12 mil metros quadrados. "O terreno já foi comprado, mas as obras não começaram." Segundo ele, o espaço na Cidade Universitária será destinado a oficinas e exposições "mais ousadas", de jovens artistas. Entre os que participam, Ubirajara Ribeiro foi convidado em outubro, quando havia começado a realização de sua obra, que finalizou em novembro. Trata-se de uma grande investigação de técnicas, que traz em uma tela (64 cm x 135,6 cm) um misto de pintura e colagem. Batizada não por acaso de Investigação Sobre Procedimentos Técnicos para Pintura de Folha de Taióba, a pintura de uma folha divide o espaço da tela com o exame de técnicas que o autor usou para realizá-la. Já Dudi Maia Rosa levou outra investigação, feita no ano passado, ao museu. Na obra sem título feita com poliéster, cera e pigmento, o efeito é ver palavras escritas do avesso a impressão calculada pelo artista, que se vê tudo às avesssas. "Para entender o que foi escrito, tem que entrar na construção da obra", conta. Entre as novas aquisições do museu, que na verdade não foram ainda compradas por falta de verba, estão as duas obras de Ana Maria Tavares, ambas de 1997. Carroussel (Para Duchamp), como diz o título, uma grande estrutura feita de aço e inox, espelhada por dentro. A outra, chamada Museum´s Piece (Coluna Niemeyer com Sofá), feita dos mesmos materiais.Reinauguração do MAC- Obra Nova. A partir de 7 de dezembro. De 2ª a 6ª, das 10 às 19 h. 5ª, das 11 às 20 h. Sáb., das 10 às 14 h. R$ 3. Na Cidade Universitária (R. da Reitoria, 160, tel.: 3818-3538).

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