MAC inaugura "22 e a Idéia do Moderno"

A maior orgia intelectual que a história artística registra. Esta é a definição de Mário de Andrade para os oito anos que se seguiram ao término da Semana de Arte Moderna de 22, a grande festa no Teatro Municipal de São Paulo que chegava ao fim exatamente no dia 18 de fevereiro, há 80 anos. Para celebrar a data histórica, o encerramento do grande marco e divisor de águas na história da arte brasileira do século 20, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP inaugura a exposição 22 e a Idéia do Moderno, com 23 obras dos mais importantes artistas plásticos que prenunciaram (Anita Malfatti e Victor Brecheret), participaram (Di Cavalcanti e Vicente do Rego Monteiro) e levaram adiante o legado modernista da Semana (Tarsila do Amaral, Antonio Gomide e Ismael Nery). A curadoria é de Daisy Peccinini. A proposta dos modernistas brasileiros era agitar o marasmo da cultura nacional, propondo uma arte que não fosse mera reprodução da natureza, mas resultado de liberdade de pesquisa estética, abrindo caminho para uma tomada de consciência da realidade nacional. Apesar de nenhuma das obras selecionadas ter sido exposta durante a Semana, a mostra consegue dar conta da inserção de seus artistas no cenário cultural e histórico da época. Os trabalhos de 22 e a Idéia do Moderno ficam espalhados pelas salas do MAC. As obras selecionadas ganharam marcação para serem identificadas pelo público. Além de textos de apoio fornecidos aos espectadores, o projeto se completa com uma visita à página virtual da mostra, na home page do museu: www.mac.usp.br. Se há uma ressalva, é que o espectador não entrará em contato com nenhuma obra que já não estava nas paredes desde abril, quando o museu foi reaberto ao público totalmente reformado. A configuração das obras expostas também permaneceu praticamente imutável, quando na verdade o diálogo entre os trabalhos seria muito mais eficaz se as obras estivessem lado a lado, na parede. Contudo, em sua reserva técnica, o MAC guarda um precioso acervo com cerca de 8 mil obras, que inclui criações de Matisse, Picasso, entre outros mestres da arte no século 20, incluindo os brasileiros Helio Oiticica e Lygia Clark. Esta situação de descompasso deve se prolongar pelo menos até 2003, para quando está prevista a inauguração da nova sede do MAC. Paralelo à exposição sobre o modernismo, o projeto Obra em Contexto ocupa o Gabinete de Papel e exibe A Negra (1923), de Tarsila do Amaral, mais seis desenhos de Di Cavalcanti. Como explica Teixeira Coelho em seu texto para a exposição, muitos são os "modernismos", no Brasil e no mundo. Segundo o diretor do MAC-USP, a proposta apresentada por Di Cavalcanti em 1923 (O Beijo, que pode ser visto na sala 5 do museu) é muito distante daquela de Tarsila no mesmo ano (A Negra, sala 7). Esta considerada emblemática do modernismo em sua versão brasileira; aquela é também modernista embora alguns a vejam como típica do modernismo "internacional".

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