MAC abre para alunos da Maré

Produção cultural desses alunos e de outros que se formaram nos anos seguintes compõe o Programa Imagens do Povo

O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2013 | 02h11

Quando esteve no Brasil, em 2007, Charif Benhelima deu um workshop para uma turma de jovens moradores de uma comunidade carente do Rio. Era a primeira turma da Escola de Fotógrafos Populares, criada por João Roberto Ripper na Favela da Maré, zona norte do Rio. A produção cultural desses alunos e de outros que se formaram nos anos seguintes compõe o Programa Imagens do Povo, da ONG Observatório de Favelas, que selecionou alguns desses novos profissionais para integrar a mostra Imagem em Processo, em exibição paralela à de Benhelima, na varanda do Museu de Arte Contemporânea de Niterói.

"O exercício que a gente quer problematizar é não só fazer uma apresentação estetizante de uma realidade, mas mostrar como estes sujeitos estão se tornando sujeitos estéticos", diz o curador Luiz Guilherme Vergara, diretor do MAC. "E a preocupação de criar engajamento e formar sujeitos estéticos não é só para a favela, é para a classe média também. E isso é um trabalho para construirmos neste museu."

A mostra, dividida em três eixos, traz os relatos e as produções dos protagonistas desse processo de transformação estética a que Vergara se refere. As 14 fotos reunidas em Imagens do Povo são trabalhos que foram exibidos recentemente na exposição Ginga da Vida, em Paris, promovida pela Fundação Aliança Francesa. A seção Solos Culturais traz um mapeamento dos trabalhos e das identidades da Maré. Em Travessias, cujo projeto homônimo é responsável por promover a democratização da produção e difusão das artes visuais, são mostrados os diálogos que surgem a partir da chegada de uma produção artística com valores estéticos até então alheios àquela comunidade.

Durante o período da exposição, que vai até 23 de junho, haverá ainda uma série de fóruns de debates. "A mostra traz uma dimensão de coletivo que a classe média perdeu. Então, a ideia é que o museu deixe de ser apenas um templo estético para também ser um museu-fórum." / H.A.S.

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