Mincrs/Divulgação
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Lygia Pape total para os europeus

Grande mostra da artista será aberta em maio no Museu Reina Sofia, de Madri

Camila Molina - O Estado de S.Paulo,

13 Abril 2011 | 06h00

Contemporânea e próxima dos artistas Lygia Clark e Hélio Oiticica e ainda tão experimental quanto esses dois criadores que se tornaram nomes brasileiros de projeção internacional nas últimas décadas, Lygia Pape (1927- 2004) vai conquistando agora o seu alcance para além do Brasil. O Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia de Madri, Espanha, uma das instituições mais vibrantes da Europa, vai inaugurar no próximo dia 24 de maio uma grande exposição individual de Lygia Pape, reunindo cerca de 250 obras. Com curadoria de Manuel Borja-Villel, diretor do museu desde 2007, e de Teresa Velázquez, a mostra é realizada em parceria com o Projeto Lygia Pape, associação cultural que mantém e divulga a obra da artista desde sua morte e é dirigida pela filha da criadora, a fotógrafa Paula Pape.

Na edição anterior da Bienal de Arte de Veneza, a 53.ª, em 2009, a instalação da Tteia (2004), de Lygia, foi um dos grandes destaques - e naquela edição, a brasileira foi homenageada com menção honrosa. Em Veneza, no Arsenale, o visitante dava de encontro com a beleza da Tteia abrigada em amplo espaço escuro, feita de fios de ouro que saíam de formas quadradas, transformando em poesia o local com feixes de luz de quase imaterialidade. A Bienal ainda apresentava o Livro da Criação (1959) da artista, trabalho de formas geométricas feitas em cartão e acompanhadas de breves escritos, é considerada uma das preciosidades do neoconcretismo brasileiro.

Agora, na mostra de Lygia no Reina Sofia, que ficará em cartaz até 12 de setembro e é considerada a primeira exposição monográfica de peso da brasileira na Europa, será possível ver Lygia Pape total, perpassando sua trajetória desde a década de 1950, quando participou do concretista Grupo Frente no Rio.

Ordem sensível. Estarão reunidos na mostra pinturas, relevos, xilogravuras, registros de suas performances, poemas, colagens, documentos e até sua produção cinematográfica, tanto de criações próprias como Eat Me (1975) e suas colaborações com o Cinema Novo brasileiro, já que desenhou, por exemplo, o cartaz do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha, e criou a programação visual de A Falecida (1965), de Leon Hirszman.

Entre os destaques da mostra, podem ser citadas as instalações Tteias (criadas a partir de 1977); as Caixa de Baratas e Caixa de Formigas, referindo-se à Nova Objetividade Brasileira (1967); os trabalhos políticos de 1968 como Divisor, O Ovo, Rodas dos Prazeres e Espaços Imantados; e ainda Livro da Criação e Livro da Arquitetura - passagem dos 1959/1960 - e o Livro do Tempo (1961/1965).

Certa vez, o crítico Mário Pedrosa afirmou que a artista e professora Lygia Pape era, dentre os criadores em circulação, a mais fértil. "As ideias não são nela conceitos ou preconceitos, mas antes fragmentações de sensações que conduzem Pape de um espaço a outro evento e deste a um estado em que bruxuleiam cores e espaços que se devoram, entre o interior e o exterior." O Reina Sofia a apresenta como criadora de uma obra em "constante mutação, buscando integrar as eferas ética, estética e política". "Seu abandono da geometria concreta e fundação do neoconcretismo em 1959 é considerado o início da arte contemporânea brasileira. Guiada pela ideia da escritura de um livro impossível, a mostra perpassa as tentativas da artista pela busca de uma linguagem de encontro a uma nova ordem sensível."

 

 

QUEM É

LYGIA PAPE

ARTISTA E PROFESSORA

Nascida em Nova Friburgo em 1927 e morta em 2004, no Rio, foi autora de uma obra plural. Começou concreta nos anos 1950 com o Grupo Frente e depois integrou o movimento neoconcreto. Lecionou em instituições como o Parque Lage e, em 2009, ganhou menção honrosa na 53ª Bienal de Veneza.

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