Lygia Fagundes Telles ganha o Prêmio Camões

A escritora Lygia Fagundes Telles é a vencedora do Prêmio Camões, maior láurea concedida a escritores de países portugueses. Ela recebeu a notícia no Rio, onde está ?para rever amigos e participar da Bienal Internacional do Livro?, como contou ao Estado. A autora de As Meninas (1973), um de seus principais títulos, acaba de lançar o livro Meus Contos Esquecidos e diz já estar trabalhando num novo romance. Lygia, nascida na cidade de São Paulo em 19 de abril de 1923, faz parte desde 1985 da Academia Brasileira de Letras. Ela diz que se surpreendeu com a premiação, apesar de seu nome já estar circulando entre os escritores. ?Estou tão desligada de tudo, envolvida com minhas coisas, que nem sabia?, disse. ?Mas recebi com muita emoção porque indica que uma escritora do Terceiro Mundo está transpondo barreiras.?O Prêmio Camões foi adotado em 1989 pelos governos de Portugal e Brasil para distinguir anualmente um escritor que "contribua com sua obra para enriquecer o patrimônio literário da língua portuguesa". O vencedor recebe 100 mil euros (cerca de R$ 300 mil). O primeiro brasileiro a ganhá-lo foi o poeta João Cabral de Melo Neto, em 1990. Depois vieram Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), Autran Dourado (2000) e Rubem Fonseca (2003). Destacam-se entre os premiados o português José Saramago, o angolano Pepetela, o moçambicano José Craveirinha. ?Há uma convenção, não escrita, de alternar os países premiados?, informou o presidente da Biblioteca Nacional, Pedro Corrêa do Lago, que estava na votação. ?Desta vez foi rápido, mas já houve votação que durou dois dias.?A votação levou menos de duas horas, e dela participaram o presidente da Academia Brasileira de Letras, Ivan Junqueira, o também acadêmico Antônio Carlos Secchin, representando o Brasil, o angolano José Eduardo Agualusa, o cabo-verdiano Germano de Almeida e os portugueses Agustina Bessa-Luís (vencedora do ano passado) e Vasco Graça Moura (que mandou o voto por telefone). ?Não havia muito o que discutir, por isso decidimos logo?, explicou Augustina. ?A Lygia é muito conhecida em Portugal e este prêmio vai divulgá-la também nos países lusófonos da África?, completou Agualusa.O prêmio deverá ser entregue em Portugal, ainda no primeiro semestre, dependendo da agenda da Lygia Fagundes Telles. Ela ainda não sabe quando poderá ir lá, mas disse estar feliz em saber que sua obra viajará mais pelo mundo. ?Já sou editada em Portugal, França, Alemanha e agora também na República Checa?, informou ela, que este ano não lançará livro. ?Só um livro de crônicas, o romance fica para depois.Embora tenha se destacado como contista, Fagundes Telles é autora dos romances Ciranda de Pedra, de 1954, cuja adaptação para a televisão teve grande êxito em vários países latino-americanos, Verão no Aquário (1963), As Meninas (1973) e As Horas Nuas (1989). Algumas de suas obras foram traduzidas para o inglês, espanhol, francês, alemão, italiano e inclusive ao polonês.As Meninas, a mais conhecida de suas obras, já foi adaptada para o cinema e a televisão, e mereceu várias homenagens há dois anos, quando se lembraram os 30 anos de seu lançamento. O romance se transformou inclusive em nome de um prêmio literário que é concedido pelo governo do Estado de São Paulo.Sua última obra publicada é Durante aquele estranho chá - Perdidos e achados (2002), que reúne textos nos quais lembra encontros e emoções que viveu, principalmente as literárias.O livro de contos Invenção e Memória, publicado em 2000, deu a Lygia seu quarto Prêmio Jabuti, um dos mais importantes do Brasil e concedido pela Câmara Brasileira do Livro.Ela também recebeu os prêmios Afonso Arinos (1948), que é concedido pela Academia Brasileira das Letras, Instituto Nacional do Livro (1958), Boa Leitura (1964), Guimarães Rosa (1971) e PEN Clube Brasil (1977), entre outros.A escritora se formou em Direito na Universidade de São Paulo e chegou a exercer a profissão como procuradora no Estado de São Paulo.O Prêmio Camões, concedido no ano passado à portuguesa Agustina Bessa Luís, é o prêmios mais importante a que podem aspirar os escritores de língua portuguesa e este ano chegou à sua 17.ª edição.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.