Lygia Fagundes lota sala

O pequeno auditório da Livraria da Vila não deu conta do público que esperava na fila para assistir à mesa com Lygia Fagundes Telles na abertura da quinta edição da Balada Literária, na manhã de ontem. Depois de lotada a sala - que durante o evento tem expostos retratos de autores como Lygia e Laerte, feitos por Renato Parada -, restou aos retardatários opção de entrever, de pé, da porta, a mesa mediada por Mona Dorf e Nelson de Oliveira.

Raquel Cozer, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

Após lamentar as dores da idade, Lygia, de 87 anos, abriu a conversa lembrando palavras do jurista Miguel Reale, sobre as mulheres terem protagonizado a maior revolução do século 20, para dizer que acha uma "coisa bonita" uma mulher na Presidência. Mas não perdeu a chance de dar um recado a Dilma ao falar sobre os baixos índices de leitura no País. "Não sei como é essa situação em outros países, mas no Brasil acho muito triste a falta de leitores. Quem sabe essa nova presidente... Alguém aí é amigo dela?" Questionada sobre a importância de eventos literários, dos quais participa com frequência, disse achá-los enriquecedores, mas lamentou o fato de não ajudarem a vender mais livros.

Contou histórias de sua obra e da amizade com autores como Clarice Lispector (1920-1977) e Monteiro Lobato (1882-1948), a quem chegou a visitar na prisão, conforme relatou em texto publicado no Estado em agosto deste ano. "Não concordo com essa censura", disse, sob aplausos, referindo-se ao parecer do MEC que constatou o racismo presente no livro Caçadas de Pedrinho.

Nelson de Oliveira pediu a ela que falasse sobre seus primeiros livros, assunto que sempre evita. Lygia preferiu voltar à infância para descrever como aprendeu a contar histórias. "Minha babá me contava casos medonhos, que eu repassava aos meus sobrinhos. Um dia a babá faltou, e então comecei a inventar. Percebi que, contando a história, eu me libertava do medo." Depois, leu texto no qual explica que recusa aqueles livros por considerá-los "frutos da juvenialidade" e descreve seu processo criativo: "Tantas vezes na tentativa de iluminar, ou melhor, desembrulhar as personagens, eu me desembrulho e me deslumbro para me embrulhar de novo no emaranhado de fios, quando então a invenção vira verdade nessa viragem voragem de ofício e vida."

A Balada Literária segue até domingo, com programação gratuita. A programação completa está no site baladaliteraria.zip.net.

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