Lygia Clark expõe no MAM do Rio

Em uma de suas recentes itinerâncias internacionais, os trabalhos sensoriais de Lygia Clark foram apresentados a estudantes espanhóis, franceses, portugueses e belgas por monitores treinados pelo psicanalista Lula Vanderlei, que manteve as práticas terapêuticas criadas pela artista na fase de sua carreira em que levava "pacientes" para sua casa, em Copacabana, onde praticava uma espécie de ressensibilização dos sentidos. Parte dos trabalhos do início de sua fase sensorial ficarão expostos a partir de sexta-feira no Museu de Arte Moderna do Rio (MAM-Rio).A exposição ocupará a sala batizada com o nome da artista, inaugurada em dezembro. "Essa segunda exposição na sala funciona, assim como a primeira, como uma mostra introdutória da obra de Lygia", observa Agnaldo Farias, curador-chefe do MAM. Até mês passado, o museu apresentou obras das fases concreta e neoconcreta da artista plástica, momento anterior à sua fase interativa.A mostra reúne 11 trabalhos do acervo do museu como Desenhe com o Dedo, de 1966 - uma almofada plástica recheada de água, que, com a participação do espectador, torna-se uma superfície sobre a qual se pode criar linhas com os dedos -, ou A Casa É o Corpo, de 1968, túnel que se divide em dois compartimentos, de forma análoga ao corpo humano, por onde se pode andar (numa espécie de experiência regressiva, nas palavras do curador).Participam da exposição, ainda no grupo das coisas de vestir, as Luvas Sensoriais, também de 1968, composta por peças de diferentes materiais que obrigam o participante (fica difícil falar de espectadores nesse caso) a acessar o próprio tato para "apreciar a obra". Há ainda as Máscaras Sensoriais, realizadas um ano antes. As máscaras são feitas de dispositivos que fornecem ao usuário uma série de percepções olfativas e visuais diferentes. Uma idéia que pertence a uma época em que poucos imaginavam a possibilidade da realidade virtual. O museu reservou parte dos dias de visitação para escolas. Essas visitas serão monitoradas por um grupo de professores do museu.Os jogos mentais propostos por Lygia, tanto em seus trabalhos sensoriais como naqueles posteriores que ficaram conhecidos como relacionais, contam um pouco da origem de um tipo de participação do público que deu início à interatividade da arte contemporânea brasileira.Caminhando, por exemplo, consiste em uma tira de papel e uma tesoura. A obra passa a existir no momento em que o visitante corta o papel circularmente, criando o movimento que tende ao infinito. "Trata-se de uma experiência espaço-temporal", explica Farias.O curador adianta que ainda este ano o museu vai montar o projeto Campo Minado, dos anos 60. Portanto, da mesma fase das experiências desta exposição. Segundo ele, a criação de Lygia permaneceu inédita desde a sua idealização. Campo Minado propõe que o público calce um sapato solado por pequenos ímãs e depois caminhe sobre uma superfície metálica.

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