Lya Luft tem dia de pop star na Bienal do Livro

A médica Katheriyn Parada foi sábado no fim da tarde até à 18.ª edição da Bienal do Livro com um objetivo: acompanhar o bate-papo com a escritora gaúcha Lya Luft no Salão das Idéias. Os livros da escritora são um verdadeiro fenômeno de vendas - há 37 semanas com Perdas e Ganhos na lista de Mais Vendidos do Estado, além do sucesso do recém-lançado Pensar É Transgredir. "Eu só vim até aqui para a palestra, em outra circunstância não me abalaria até aqui", diz a médica. Katheriyn se diz impressionada com os livros que leu. "Eu me identifiquei com aquelas palavras e, principalmente, com as idéias, além de ser uma literatura madura."Lya conversou com o público que lotou o Salão das Idéias por mais de uma hora. Em um bate-papo entusiasmo e descontraído, a escritora gaúcha lembrou a sua trajetória, alguns de seus livros e ainda dividiu com os leitores seus pensamentos e até desabafos. "Ainda estou aprendendo a lidar com essa nova fase, repleta de convites para palestras e entrevista. Eu sou uma pessoa, no geral, alegre e gentil, mas com o excesso de compromissos fico mal-humorada. Preciso de um pouco de paz e sossego para escrever e viver", diz. Com relação aos novos leitores, Lya comentou: "Agora tenho mais cúmplices, milhares de amigos imaginários que pensam sobre o susto que é viver."O estilo da escrita da autora em Rio do Meio, Perdas e Ganhos e Pensar É Transgredir atraiu as professoras Ana Cristina Pereira e Débora Ferreira. "O jeito diferente dela expor as idéias chamou a minha atenção, então decidi vir do Espírito Santo até aqui para conhecer o ser humano, a mulher Lya Luft," conta Ana Cristina. "Fiquei interessada pela maneira como ela expõe seus valores", observa Débora. Já Elaine Herrero destaca a feminilidade do trabalho de Lya. "Tenho uma série de recomendações de minhas amigas sobre o trabalho dela, principalmente sobre a sensibilidade pelo feminino em seus textos. Quero ouvir o que ela tem a dizer.""Eu falo coisas que todo mundo pensa e sente. Às vezes, as pessoas vêm até mim para dizer: ´Lya, você está falando para mim´. O artista se expressa e também expressa sentimentos, opiniões pelos outros. Trato do que me inquieta, do que inquieta as pessoas. Não faço uma literatura boazinha, não tenho receita de sucesso, sugiro que as pessoas pensem e repensem, que saiam da mesmice", observa Lya. Ela também destaca o número crescente de leitores jovens e de homens lendo seus livros, fato de fácil comprovação no eclético público no auditório, que ficou em pé e sentou no chão. Como o músico Cláudio Vianna. "Fiquei curioso sobre a maneira como ela encara a vida e como entende o ser humano. Vim aqui conferir suas idéias." A jovem administradora de empresas Fernanda Carolina Campos, de 24 anos, leu a crônica História de Anjos e Gente e ficou emocionada.De acordo com Lya, os jovens também sofrem com as perdas da vida, com as frustrações, cobranças e expectativas. "Os temas estão na vida real, alguns estão na nossa casa. Se esses jovens lerem meus livros, talvez não se machuquem tanto ou não machuquem outras pessoas nos relacionamentos. A educação atual trata os jovens como tolos e eles não são. A juventude é uma época também marcada por angústias." Além da animada conversa com Lya Luft, o público que compareceu à Bienal no fim de semana pode conferir o Café Paulicéia com o escritor Inácio de Loyola Brandão e autógrafos de Maurício de Souza e, no domingo, de Ziraldo e do poeta guatemalteco Humberto Ak´abal.

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