Luta contra cangaceiro mobilizou a população

Reza a lenda que em 1926 o padreCícero teria pedido ao cangaceiro Lampião (1900-1938) queabandonasse sua vida de crimes. "Estou tocando um negócioimportante e só posso deixar essa vida em três anos", teriarespondido Virgulino Ferreira da Silva. O "negócio" era ainvasão à cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, queocorreria em junho de 1927, ou seja, há 75 anos. Segundo o historiador Frederico Pernambucano de Oliveira- um dos maiores especialistas em cangaço, autor do livroGuerreiros do Sol - a invasão à próspera Mossoró renderia aLampião a maior fortuna de sua trajetória. Mas o projetofrustrou-se. No caminho para Mossoró, Lampião seqüestrou o coronelAntônio Gurgel do Amaral, por quem pediu um resgate de 21 milcontos de réis. Para se ter idéia do que isso representava,quando foi morto Lampião tinha mil contos de réis e cinco quilosde ouro, o que daria para comprar 120 carros do último modelo daépoca. Acampado nos arredores da cidade, Lampião mandou umbilhete ao prefeito Rodolfo Fernandes fazendo uma série deexigências. Caso não fossem atendidas, os seus "150 homens"invadiriam a cidade e "o estrago seria grande". Liderada pelo prefeito e pelo padre Motta, a cidadedecidiu resistir. Não sem antes manter uma troca de bilhetesentre Lampião e autoridades. Parte dessa história foidocumentada pelo coronel em poder do bando de Lampião e, maistarde, recuperada por historiadores como Pernambucano de Mello.Quando finalmente Lampião invadiu a cidade, no dia 12 de junhode 1927, dia de Santo Antônio, ele tinha 60 homens e não 150como ameaçara. E foram recebidos por moradores - entre 150 e 300pessoas - armados e colocados em pontos estratégicos da cidade. Lampião perdeu seis homens e foi rechaçado.Historiadores registram essa como sua primeira grandederrota. Essa é a história que será encenada ao ar livre, por 70atores, em Mossoró, nesta quinta-feira à noite.

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