Luta contra a ditadura e romance em 'Amor e Revolução'

O SBT estreia hoje, às 22h15, a novela "Amor e Revolução", de Tiago Santiago, com direção de Reynaldo Boury. É a primeira trama ambientada na época da ditadura - a única produção nacional que já abordou o tema foi minissérie "Anos Rebeldes" (Globo/1992). "O amor terá lugar de destaque, mas a revolução é a novidade. A história da luta contra a ditadura militar vem se agregar a uma grande história de amor", afirmou o autor.

MARCIA CRISTINA DA SILVA, Agência Estado

05 Abril 2011 | 14h59

A história tem início com a Revolução de 64 e atravessa os "anos de chumbo" no País. Além disto, o folhetim vai levantar questões sobre as mudanças comportamentais na década, como o feminismo, o movimento hippie, as revoluções culturais no teatro, na música e na moda. "É uma novela para todo mundo que queira conhecer um pouco mais da história do Brasil", disse Santiago.

A trama central acontece em torno da história do militar da Inteligência José Guerra, personagem de Cláudio Lins, que se apaixona pela guerrilheira e líder estudantil Maria Paixão, vivida pela ex-Global Graziela Schmitt. Pela quinta vez protagonista, Cláudio disse que seu personagem, apesar de estar inserido em uma família de militares linha-dura - o pai é general e o irmão major, é um legalista, a favor da manutenção da democracia e que se apaixona por uma comunista. "Ele vai precisar vencer todos os obstáculos não só para conquistar o amor dela como também para fazer jus aos pensamentos de liberdade e democracia que ele carrega consigo", afirmou.

O elenco reúne jovens atores e profissionais mais experientes, como o ator Cláudio Cavalcante, que está de volta à televisão após um hiato de dez anos. "Eu fui parlamentar para defender os direitos dos animais. Trabalhei dez anos como vereador. Fazia teatro nos fins de semana e não podia aceitar os convites para fazer novela porque eu precisava estar terça, quarta e quinta na Câmara. Estive afastado cumprindo minha missão da vida. E agora voltei à minha paixão, que é ser ator", disse.

Além de Cavalcante, outros nomes conhecidos estão de volta à TV, como Mário Cardoso, Fátima Freire, Patrícia de Sabrit, Lui Mendes e Gabriela Alves. "É impressionante como tem gente querida pelo povo brasileiro que fica tanto tempo fora das novelas", afirmou Santiago. "Este é um elenco dos sonhos. É muito bom poder contar com eles e abrir um mercado em São Paulo. Como vários destes atores, outros artistas poderiam estar fazendo novela e não estão", afirmou.

A atriz Gabriela Alves é outra regressa à teledramaturgia. Ela vai viver a militante Odete, casada com o revolucionário Carlo Fiel (Marcos Breda). Após ser torturada e humilhada, ela torna-se uma desaparecida política. "Ela será capturada junto com o marido e afastada das duas filhas pequenas. E o sonho dela é lutar por justiça social para deixar um país melhor para as próprias filhas", afirmou a atriz.

Distante das novelas desde "Belíssima" (Globo/2006), Lui Mendes, que ficou conhecido pelo personagem Jeferson, de "A Próxima Vítima" (Globo/1995), vai interpretar o carcereiro Jeová. "Eu faço parte da ala do bem, apesar de estar no núcleo da repressão. De alguma forma, meu personagem procura ajudar os presos políticos".

Outros nomes já conhecidos na emissora completam o elenco, como Reinaldo Gonzaga, Jayme Periard, Fábio Villa Verde, Nico Puig, Antônio Petrin e Luciana Vendramini. Já os ex-globais Lúcia Veríssimo e Licurgo Spínola estreiam na emissora. Entre os novatos, vale destacar Gustavo Haddad, Diogo Savala Picchi e Tiago Abravanel. Reparou no sobrenome deste último? De acordo com Santiago, não houve nenhuma pressão na emissora para incluir o neto do Silvio Santos no elenco. "A iniciativa do convite foi nossa", garantiu.

Sobre o fato da novela ser ambientada na ditadura, o diretor Reynaldo Boury afirmou que não será tendenciosa. "Ela vai contar os fatos. É uma novela totalmente ficcional e que tem como pano de fundo esta época da história do Brasil, entre os anos de 64 e 72". Boury revelou ainda que no final de cada capítulo haverá o depoimento de pessoas que tiveram algum envolvimento com a ditadura. "Já temos mais de 70 declarações de pessoas ligadas à esquerda, mas ainda não conseguimos nenhum da ala da direita. Mas estamos abertos a todos os depoimentos", frisou.

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