Lula vai empossar Juca Ferreira na Cultura na quinta

Ex-secretário de Gil será o novo Ministro da Cultura efetivo; posse foi definida no Palácio do Planalto

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

22 de agosto de 2008 | 16h46

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai empossar na próxima quinta-feira, como seu novo Ministro da Cultura, o sociólogo baiano Juca Ferreira, atual ministro interino. Secretário-executivo do MinC desde a posse de Gilberto Gil, em 2003, Ferreira será empossado às 15 horas em dois atos: primeiro, será nomeado pelo presidente, e a seguir haverá a cerimônia de transmissão do cargo. Baiano de Salvador, João Luiz da Silva Ferreira, o Juca Ferreira, foi militante estudantil e ficou 9 anos exilado durante o regime militar, vivendo no Chile, Suécia e França, onde formou-se em Sociologia. Voltou ao País com a anistisa e passou a trabalhar com política e cultura na Bahia. Ali, desenvolveu o projeto de arte-educação Axé, para adolescentes em situação de risco. Membro do Partido Verde, o mesmo de Gil, Juca Ferreira foi secretário de Meio Ambiente da prefeitura de Salvador e também assessor especial da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Foi duas vezes eleito vereador de Salvador (1992 e 2000). Defende reformas na Lei Rouanet e a adoção de um fundo de incentivo direto para a cultura. "A política pública de cultura deve ser financiada pelo Orçamento da União", defendeu Juca, em entrevista ao Estado. Ele disse que já tem uma nova proposta de financiamento cultural pronta, mas que depende de esforços de negociação internos. "Precisamos negociar com o governo e o Congresso, mas é uma proposta bastante coerente. Primeiro, porque ela tem o orçamento como o principal instrumento de financiamento à política pública de cultura. A renúncia fiscal não tem condições de cumprir esse papel, porque ela implica em uma negociação com a área privada, e a área privada tem o critério do retorno de imagem. Então, há áreas estratégicas, e eu citaria o Parque de São Raimundo Nonato, que traz os traços mais antigos da presença do homem no planeta, e que ninguém quer financiar porque está lá no interior do Piauí. É cientificamente exemplar, mas as empresas, ao se associarem ao mecanismo de renúncia da Lei Rouanet, eles querem retorno, e retorno está onde estão os consumidores em potencial", considerou.

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