Luiz Zerbini abre exposição na Galeria Fortes Vilaça

Não há nada de mórbido (nem de pretensioso) no título de uma das obras que Luiz Zerbini exibe na Galeria Fortes Vilaça: Minha Última Pintura. Artista da chamada Geração 80 - a que explodiu com o gênero pictórico -, ele não reitera a conversa já ultrapassada sobre "a morte da pintura" décadas depois. Aliás, a idéia de que a pintura morreu, a convivência natural com esse tema, o instiga e o motiva.Afinal, ele fez uma grande tela a óleo toda negra, mas muito mais que isso: sua superfície se transforma em um "espelho negro" que reflete tudo à sua volta - nós mesmos e suas outras obras presentes na sala. Contemplativo e enigmático - fascinante ao perceber sua luz enquanto o artista vai citando os nomes de pintores históricos como Rembrandt, Goya, os impressionistas.Artista de momentos de excessos e de economias que oscilam, como ele já disse, nessa Minha Última Pintura Zerbini condensa a trajetória de pintor. "Você passa a vida inteira querendo fazer o melhor trabalho, o mais preciso. Sempre fiquei curioso sobre qual seria o meu e o previ", diz ele, que também lembra serem últimas obras de alguns memoráveis artistas (Iberê Camargo e Michelangelo) exceções dentro de suas trajetórias.Mas é curioso porque, ao mesmo tempo, na galeria, ele exibe pinturas feitas a partir do repertório conhecido já de sua carreira - uma mistura em excesso de figurativo e abstração, uma mescla bela de coisas que remetem a folhagens, ao pop, ao mar, à geometria, temas que vão e voltam. As telas ficam penduradas por cordas e roldanas. Com a Última Pintura, sua mostra se transforma numa instalação. A galeria também exibe no mezanino obras do português Gil Heitor Cortesão. Luiz Zerbini e Gil Heitor Cortesão. Galeria Fortes Vilaça. Rua Fradique Coutinho, 1.500. V. Madalena. 3.ª a 6.ª, 10 horas às 19 h; sáb., até 17 horas. Grátis. Até 12/5

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