Luiz Paulo Horta é eleito com 23 votos novo membro da ABL

Cadeira n.º 23, que foi de Machado de Assis, Jorge Amado e Zélia Gattai, será do jornalista e crítico

Roberta Pennafort, de O Estado de S. Paulo,

21 de agosto de 2008 | 17h16

O jornalista Luiz Paulo Horta foi eleito nesta quinta-feira, 21, com 23 votos o novo ocupante da cadeira de número 23 da Academia Brasileira de Letras (ABL), que era ocupado até maio pela escritora Zélia Gattai. O segundo colocado foi o escritor Ziraldo, com 11 votos. Houve ainda 4 votos nulos e um branco. Dos 39 acadêmicos, trinta estiveram presentes. Os demais votaram por carta.  Horta, jornalista e crítico de música clássica, foi escolhido entre 21 candidatos e já aparecia como favorito em prévias informais. Também estavam no páreo os escritores Antônio Torres, a historiadora Isabel Lustosa e o crítico literário Fábio Lucas.  Horta se disse muito emocionado, em especial por ter sido eleito para a cadeira de Machado de Assis no ano do centenário da sua morte. "É uma coisa que só acontece uma vez na vida, uma oportunidade de fazer parte de uma instituição cada vez mais presente na sociedade", disse. Ele recebeu a notícia por telefone do colega Arnaldo Niskier. Horta comemorou na casa da sogra em Copacabana com amigos e mais de dez imortais.  "Foi uma bela eleição. Luiz Paulo Horta tem uma obra belíssima e é talvez um dos melhores críticos de música de todos os tempos, além de ser um teólogo com profundo conhecimento da Bíblia. Ele vai colaborar com os nossos próximos programas culturais de música. Quem sabe não formamos um coral da ABL?", brincou o presidente Cícero Sandroni. O mais novo imortal se candidatou por sugestão de amigos acadêmicos. "Acho que é tudo questão de timing. Não sei se acertamos. A casa tem seus mistérios", declarou antes da decisão desta quinta. Horta é autor de obras como Sete Noites com os Clássicos e A Música das Esferas - em que reúne crônicas publicadas no jornal O Globo. A cadeira 23 não é uma vaga qualquer. Ela foi inaugurada por Machado de Assis, que escolheu como patrono José de Alencar. Jorge Amado ocupou-a por quatro décadas. Sua mulher, Zélia Gattai, o substituiu por sete anos. A disputa acirrada tem dois grandes motivos: desde 2006 não havia cadeiras vagas e, além disso, não se candidatou à vaga nenhum medalhão. O sonho da ABL é atrair o crítico literário Antonio Candido, de 90 anos, que não aceita o convite de jeito nenhum.  Marcos Vilaça acredita que Horta levará "sonoridade" à casa de Machado. "É sempre bom ter um companheiro a mais. Vivemos da substituição dos nossos mortos." Nélida Pinon viu beleza no fato de uma pessoa com perfil distinto de sua antecessora ser escolhida.  "É bonito ver que cada cadeira é ocupada por uma pessoa completamente diferente da outra. Zélia Gattai era memorialista e Luiz Paulo Horta é um teólogo e jornalista. Eu gosto mesmo é desta festa democrática", contou Nélida, que pretendia visitar Horta e também os derrotados. A votação na ABL funciona de forma secreta e todos os votos, escritos em pedaços de papel, são incinerados ao fim da eleição. Quem não puder ir até a ABL envia o voto ao presidente por carta.  Trajetória Luiz Paulo Horta, carioca, sempre teve a vida ligada à musica clássica. Estudou piano com professores respeitados,como Salomea Gandelman, Homero Magalhães e Moura Castro. Nos anos 70, passou a trabalhar como crítico musical em jornal. Durante cinco anos, dirigiu a seção de música do Museu de Arte Moderna no Rio. Desde 1990, escreve críticas no jornal O Globo.  Horta também publicou livros sobre música, como o livro "Villa Lobos: uma introdução" e "Sete noite com os clássicos, um estudo sobre os principais estilos". Seu "Guia de música clássica em CD, lançado há dez anos, é um sucesso de vendas. É membro da Academia Brasileira de Música (ABM) e da Academia Brasileira de Arte.  Matéria ampliada às 19h25. 

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