Luise Weiss e sua poética das memórias

Artista abre hoje no Masp mostra em que transita [br]pela pintura, gravura, fotografia e pelo vídeo

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2010 | 00h00


A memória não aparece como tema ilustrado, mas como motivo intricado da poética múltipla da artista Luise Weiss, que inaugura hoje para convidados e amanhã para o público a mostra Passagens e Memórias, no Museu de Arte de São Paulo (Masp). Pela pintura, gravura, fotografia, objeto, vídeo e livro de artista Luise transita de uma forma natural e sem hierarquia. "Uma linguagem alimenta a outra", diz a criadora. "Trabalho em vários meios, mas procuro as mesmas coisas", continua ela, definindo que sua reflexão se dá em questionar a maneira como a imagem se transforma e como nós nos lembramos de fatos, pessoas, lugares pela sequência dos tempos - basicamente, acrescenta: "Amanhã o presente será passado."

Para as obras da exposição, composta por 26 pinturas (12 inéditas), 21 gravuras, 19 fotografias, série de livros e de vídeos, Luise Weiss se alimentou de fotografias dos arquivos de sua família e de anônimos, assim como de filmagens antigas. A figura do navio, como elemento de transporte e de viagem de uma época distante - o meio que trouxe imigrantes, incluindo os familiares da artista, da Áustria e Alemanha -, prevalece nas obras, assim como a referência à água, ao mar - "que separa e aproxima continentes".

Mais ainda, estão os rostos, retratos metamorfoseados de feições que se fundem com outras ou mesmo com a paisagem. "Serenidade afetiva e ímpeto permeiam essa experiência viva com todo o tempo que passa dos fatos e suas histórias ao objeto estético e deles consequentemente pelas imposições do gesto, pela densidade da trama e nas iluminações pela cor", escreve o artista Evandro Carlos Jardim num dos textos que estão na exposição (ainda há na mostra reflexões escritas de Ana Belluzzo, Berta Waldman e Leon Kossovitch).

Paleta densa. Uma paleta escura prevalece nas criações de Luise Weiss, inclusive nas pictóricas (criadas a partir de frames de vídeos, "momentos congelados"), até mesmo pela raiz do uso de imagens antigas - em preto e branco -, e pela natureza da xilogravura - a artista considera que a vertente gráfica foi o primeiro meio expressivo de sua carreira. "Vejo que é um trabalho de meios-tons. Na verdade, lembramos das coisas de uma maneira mais monocromática", diz a artista.

PASSAGENS E MEMÓRIAS

Masp. Av. Paulista, 1.578, 3251-5644. 11h/ 18h (5ª, 11 h/ 20 h; fecha 2ª). R$ 15 (3ª grátis). Até 13/6. Abertura hoje, 19h30

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