Luciano Pavarotti será sepultado sábado em sua cidade natal

Nascido em Modena, na Itália, tenor morreu nesta quinta em decorrência de um câncer de pâncreas

AE-AP, Agencia Estado

06 de setembro de 2007 | 09h41

  O tenor italiano Luciano Pavarotti será enterrado no próximo sábado em Modena, na Itália, sua cidade natal e onde viveu durante seus 71 anos, informou nesta quinta-feira, 6, o prefeito Giorgio Pighi, ao deixar a residência do tenor. Pavarotti morreu às 5h locais (zero hora em Brasília), em sua residência. Terri Robson, empresária do tenor, confirmou que Pavarotti combatia desde o ano passado um câncer no pâncreas e voltou a ser submetido a tratamento no mês passado.  Veja também:Morre Luciano Pavarotti, um dos mais importantes tenores da históriaPavarotti, cantor de voz belíssima, com dicção impecávelLuciano Pavarotti, o tenor inconfundível Piza: Una furtiva lacrima per Pavarotti Pavarotti esteve sete vezes no BrasilOs grandes papéis do tenor Luciano PavarottiHistórias pouco conhecidas do fenômeno PavarottiMorte de Pavarotti provoca comoção na ItáliaTeatro da cidade natal de Pavarotti se chamará Grande Luciano Grandes nomes da música lamentam a morte de Pavarotti Sempre admirei a voz divina de Pavarotti, diz Plácido DomingoNa infância, Pavarotti sonhava em ser craque de futebolOuça trecho de "La Donne È Mobile", da ópera "Rigoletto", de Verdi, na voz do tenor Luciano Pavarotti  Ouça trecho de "Nessum Dorma", da ópera "Turandot", de Puccini, na voz do tenor Luciano Pavarotti  Pavarotti - Nessun Dorma   Os Três Tenores - Nessun Dorma  James Brown & Pavarotti  Luciano Pavarotti - Ave Maria - Schubert  Queen + Luciano Pavarotti - Too Much Love Will Kill You  A última exibição de Pavarotti - Torino 2006 per le Olimpiadi  "O Maestro travou uma dura e longa batalha contra um câncer no pâncreas que acabou por tirar sua vida. De acordo com sua postura diante da vida e do trabalho, ele manteve-se otimista até finalmente sucumbir nos estágios derradeiros da doença", disse a empresária. Na noite da última quarta, o músico ficou inconsciente e sofreu uma insuficiência renal em um quadro considerado "muito grave", segundo amigos e parentes que o acompanhavam.  Submetido a uma operação para a retirada do câncer há um ano, o tenor havia emagrecido 30 quilos desde então e usava uma cadeira de rodas para se locomover. Pavarotti chegou a ser hospitalizado entre 8 e 25 de agosto, quando saiu para prosseguir o tratamento em sua casa de uma suposta pneumonia. O prefeito de Modena anunciou que proporá que o famoso "Teatro Comunale" seja dedicado ao "Big Luciano", como era conhecido o tenor. O prefeito acrescentou que a morte de Pavarotti causou uma grande dor a todos de Módena, pois era uma pessoa "muito generosa". Pighi afirmou que proporá que o teatro seja batizado com o nome de Pavarotti. Para os fãs, a beleza natural e a emoção de sua voz fizeram de Pavarotti o intérprete ideal do repertório lírico italiano, especialmente nas décadas de 1960 e 1970, quando ele atingiu o estrelato. Para outros, as performances carismáticas do tenor representam a essência da ópera. A última apresentação pública de Pavarotti ocorreu em fevereiro do ano passado, quando ele interpretou Nessun Dorma, da ópera Turandot, de Puccini, na abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno em Turim. Seu último concerto completo foi executado em dezembro de 2005 em Taiwan. Uma de suas quatro filhas, Giuliana declarou há algum tempo que o músico sabia que morreria em breve e, em conversas familiares, falava freqüentemente de seu desejo de se juntar aos pais e de encontrar finalmente a paz.  Dom  Um timbre privilegiado, com grande riqueza de coloridos - a sua mais notável qualidade, ele a recebeu como uma dádiva da natureza: nasceu tenor. Ao contrário de cantores como Carlos Bergonzi ou Plácido Domingo, que iniciaram a carreira como barítonos e, depois, reiniciaram os estudos para colocar a voz no registro mais agudo, Luciano Pavarotti era um tenor natural. Dotado, além disso, da mais preciosa das características: um timbre absolutamente inconfundível, que permitia à sua legião de admiradores reconhecê-lo, bastando, para isso, ouvi-lo cantar dois ou três compassos.  Esse filho de um padeiro e de uma operária de tecelagem de Módena, na Emilia Romagna - nascido em 12 de outubro de 1935 - não se destinava, de início, à carreira lírica. Torcedor fanático do Juventus, chegou, por um tempo, a pensar na carreira de jogador profissional; mas acabou optando pela de professor, e chegou a obter o diploma elementar. Cantava, entretanto, juntamente com Fernando Pavarotti, o seu pai, no coral Gioachino Rossini, de sua cidade, com o qual viajou para o País de Gales, onde ganharam o primeiro prêmio do Concurso Internacional de Corais de Llangollen. Entusiasmado com esse resultado, Luciano começou, ao voltar para casa, a estudar canto com Arrigo Pola. Dando-se conta do talento de seu aluno, Pola o encaminhou para a classe do respeitado Ettore Campogalliani, professor, entre outros, de Mirella Freni - que também é de Modena e amiga de infância de Luciano. Sob a orientação de Campogalliani, Luciano ganhou o primeiro lugar no concurso de canto que lhe permitiu estrear em Reggio Emilia, em 29 de abril de 1961, como o Rodolfo da Bohème, que estava destinado a ser um de seus maiores papéis. Pavarotti estreou nos palcos no dia 29 de abril de 1961, no papel de Rodolfo, da ópera La Bohème, de Puccini. Quatro anos depois, o tenor, então com 30 anos, fez sua estréia americana ao lado de um mito da ópera, Joan Sutherland, que o recomendou para substituir um cantor doente na ópera de Miami. No mesmo ano, 1935, ele fez sua primeira apresentação no templo da ópera, o Scala de Milão, interpretando novamente o papel de Rodolfo de La Bohème. Ganhador de muitos Grammy Awards e discos de ouro e platina cantou no Brasil pela primeira vez, em um recital no Anhembi de São Paulo, em 1979. A ascensão para o estrelato vinha acompanhada de um cortejo de problemas: as exigências cada vez mais estapafúrdias - como a de transportar para a China toda a cozinha de seu restaurante predileto - e a reputação de ter-se tornado "o Rei dos Cancelamentos". Em 1989, tinha causado grandes repercussões a decisão de Ardis Krainik, diretor do Lyric Opera de Chicago, de romper com ele um contrato que se estendera por 15 anos porque, nos oito últimos desses anos, Pavarotti cancelara 26 das 41 apresentações previstas.  Causa nobre É verdade que, ao lado disso, o cantor envolveu-se em inúmeras causas beneficentes e humanitárias. Criou a Pavarotti International Voice Competition, destinada a revelar cantores jovens, na década de 80. As séries de shows intitulados Pavarotti And Friends, reunindo intérpretes clássicos e populares, levantaram fundos para ajudar refugiados e crianças carentes na Bósnia e na Guatemala, em Kossovo e no Iraque.  Amigo da princesa Diana, uniu seus esforços aos dela na campanha para a eliminação das minas de solo. E recusou-se a cantar no serviço fúnebre da princesa, em Westminster, pois "não conseguiria fazê-lo com um nó na garganta". Ter-se tornado, em dezembro de 1998, o primeiro (e único) cantor de ópera a se apresentar no programa Saturday Night Live, da televisão americana, ao lado da cantora pop Vanessa Williams, projetou de forma astronômica o prestígio do artista que, naquele mesmo ano, recebera o Grammy Legend Award, raríssimas vezes concedido.  Após 39 anos de casamento, o tenor se divorciou de Adua Pavarotti, com quem teve três filhos, para casar-se com sua secretária, Nicoletta Mantovani, 34 anos mais nova do que ele, em 2003. Com Nicoletta teve uma filha, Alice, de 5 anos. Os problemas de saúde se sucederam muito rapidamente. Uma cirurgia nas vértebras do pescoço, em março de 2005, prejudicou os planos para a turnê de despedida anunciada no ano anterior. A infecção hospitalar que se seguiu a uma operação da coluna, em janeiro de 2006, forçou o cancelamento de vários concertos. O câncer no pâncreas diagnosticado em junho de 2006 exigiu uma cirurgia de emergência, depois da qual foi anunciado que ele estava se recuperando bem. Em 9 de agosto, Pavarotti foi internado "para observação", segundo declarou Alberto Greco, o porta-voz do hospital de Módena. Mas o diário da cidade, Il Resto del Carlino, informou que ele sofria de pneumonia. Se passarmos em revista as etapas da vida e produção desse popularíssimo cantor, morto aos 71 anos, não é difícil concordar com o julgamento formulado por Renato Mesquita: "Pavarotti fica, na história da ópera do século 20, em um patamar muito elevado, sim; mas pelo que fez na fase inicial de sua carreira. Infelizmente, ele não soube envelhecer da mesma forma que Plácido Domingo, por exemplo, está sabendo."

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