Luciano Pavarotti (1935-2007), o tenor das multidões

Tenor que morreu na quinta, de câncer no pâncreas, será sepultado sábado, em Modena, sua cidade natal

João Luiz Sampaio com agências internacionais ,

06 de setembro de 2007 | 21h17

O tenor italiano Luciano Pavarotti, que morreu na madrugada desta quinta-feira, 6, aos 71 anos, recebeu uma homenagem de milhares de cidadãos que foram ao seu velório, realizado na catedral de sua cidade natal, Modena. O caixão chegou às 21h05 (16h05 de Brasília) e foi recebido em meio a uma salva de palmas. A Catedral de Modena é considerada pela Unesco como "patrimônio artístico da Humanidade".  Uma longa fila de pessoas se amontoava na porta lateral da catedral de Modena (norte da Itália), quando o velório foi aberto ao público, às 21h05 (16h30 de Brasília). Os admiradores percorriam lentamente o caminho até o seu interior para dar o último adeus ao cantor. A igreja permanecerá aberta até o fim desta quinta, e reabrirá na manhã de sexta-feira. Também será possível visitar o caixão na manhã de sábado, até o horário de 15 horas (10 horas de Brasília), quando a catedral será fechada para a preparação do funeral, previsto para 17 horas (12 horas de Brasília). Veja também:Morre Luciano Pavarotti, um dos mais importantes tenores da históriaPavarotti, cantor de voz belíssima, com dicção impecávelLuciano Pavarotti, o tenor inconfundível Piza: Una furtiva lacrima per Pavarotti Pavarotti esteve sete vezes no BrasilOs grandes papéis do tenor Luciano PavarottiHistórias pouco conhecidas do fenômeno PavarottiMorte de Pavarotti provoca comoção na ItáliaTeatro da cidade natal de Pavarotti se chamará Grande Luciano Grandes nomes da música lamentam a morte de Pavarotti Sempre admirei a voz divina de Pavarotti, diz Plácido DomingoNa infância, Pavarotti sonhava em ser craque de futebolOuça trecho de "La Donne È Mobile", da ópera "Rigoletto", de Verdi, na voz do tenor Luciano Pavarotti  Ouça trecho de "Nessum Dorma", da ópera "Turandot", de Puccini, na voz do tenor Luciano Pavarotti  Pavarotti - Nessun Dorma   Os Três Tenores - Nessun Dorma  James Brown & Pavarotti  Luciano Pavarotti - Ave Maria - Schubert  Queen + Luciano Pavarotti - Too Much Love Will Kill You  A última exibição de Pavarotti - Torino 2006 per le Olimpiadi   Comoção e homenagem Desde que foi divulgado que o velório aconteceria na catedral, os habitantes de Modena começaram a se concentrar na praça do Duomo para ver a chegada dos restos mortais de Pavarotti.O caixão de madeira, de cor clara, e adornado com uma cruz, foi recebido pelas autoridades locais, dentre as quais o prefeito da cidade. Giorgio Pighi anunciou que proporá que o famoso Teatro Comunale de Modena passe a se chamar "Grande Luciano", como era conhecido o tenor.A esposa de Pavarotti, Nicoletta Mantovani, chegou à catedral de carro, junto com as três filhas que o tenor teve em seu primeiro casamento, com Adua Veroni. Doença Submetido a uma operação para a retirada de um câncer no pâncreas há um ano, o tenor italiano emagreceu 30 quilos desde então e usava uma cadeira de rodas para se locomover. Pavarotti chegou a ser hospitalizado em Modena em 8 de agosto, vítima de pneumonia, segundo os jornais locais. No dia 25 obteve alta para prosseguir o tratamento em sua casa. Com a notícia do agravamento de seu estado de saúde na noite de quinta-feira, amigos e parentes começaram a chegar à casa do tenor.  A morte foi anunciada por Terri Robson, empresária do tenor: "O Maestro travou uma dura e longa batalha contra um câncer no pâncreas que acabou por tirar sua vida. De acordo com sua postura diante da vida e do trabalho, ele manteve-se otimista até finalmente sucumbir nos estágios derradeiros da doença", disse a empresária. A última apresentação pública de Pavarotti ocorreu em fevereiro do ano passado, quando ele interpretou Nessun Dorma, da ópera Turandot, de Puccini, na abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno em Turim. Seu último concerto completo foi executado em dezembro de 2005 em Taiwan. Pop e carismático O mundo da ópera não será mais o mesmo. É verdade que já há alguns anos o tenor Luciano Pavarotti afastara-se dos palcos, dedicando-se apenas a ocasionais aparições em concertos ao ar livre. Mas sua morte, deixa um vazio difícil de ser preenchido. Havia, antes de mais nada, a voz, um timbre inconfundível, espontâneo, instintivo, natural mesmo. Mas não era só isso. Nenhum outro cantor lírico alcançou sua fama e atraiu tantas multidões por onde passava. Carismático, os braços abertos com o inconfundível lenço branco nas mãos, o sorriso largo... Pavarotti foi o tenor das multidões. E, com ele, se vai um dos personagens mais importantes de toda a história do gênero operístico. O tenor havia anunciado para 2006 sua turnê de despedida. Após alguns concertos, no entanto, foi hospitalizado em Nova York e passou por uma cirurgia devido a um câncer no pâncreas. Do hospital seguiu para a sua Modena natal, onde passou os últimos tempos acompanhado da família.  Importância Obituários, perfis, entrevistas vão tentar dar conta nos próximos tempos da importância de Pavarotti. Não vai ser tarefa fácil. Por um lado, temos os seus grandes triunfos nos teatros de ópera - seu Rodolfo em La Bohème, os inúmeros papéis de Donizetti em que ele era imbatível, as gravações que deixou com Mirella Freni, Joan Sutherland e Montserrat Caballé, suas grandes companheiras de palco.  Mas há também um Pavarotti mais polêmico, o cantor que nem sempre sabia escolher seu repertório, que fustigava a rivalidade com outros tenores, que enlouquecia os colegas com exigências como ensaios em seu quarto de hotel, que fazia concertos para multidões, cantando lado a lado com astros da música pop em duetos que muitas vezes beiravam o constrangedor, chegando a receber mais de US$ 1 milhão por aparição.  De cara, o que se pode dizer é que os dois lados são fundamentais para se compreender Pavarotti e os motivos que fizeram dele, ainda em vida, um verdadeiro mito. Nos últimos anos, a cada temporada surgia no cenário um candidato ao posto de "o novo Pavarotti" - Roberto Alagna, Salvatore Licitra, etc, etc, etc. Uma coisa é clara. Pode esquecer. Pavarotti houve um só, no que teve de melhor e de mais contraditório. E figuras como ele não aparecem a todo momento.            

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