Luciana Souza conquista a platéia do Chivas

A terceira noite do Chivas Jazz Festival foi da brasileira Luciana Souza. Com sua voz potente, ela mostrou, pela primeira vez em um grande festival no País, por que vem sendo aclamada como uma das grandes revelações da música. O público que esteve no Directv Music Hall, em São Paulo, nesta sexta-feira, aplaudiu de pé a apresentação impecável da cantora.A noite começou com o pianista americano Fred Hersch. Em uma hora, Hersch provou que um piano solo bem tocado é o suficiente para encher uma casa de shows. Com um repertório variado, o pianista teve o brilhantismo de começar e terminar o concerto com duas composições de um dos maiores pianistas do mundo, Thelonious Monk. Com isso, Hersch mostrou que é um pianista muito além de simples standards de jazz. Felizmente, durante todo o show, o musico preocupou-se em situar a platéia, dizendo qual música iria tocar. Entre elas The Nearness Of You, de Hoagy Carmichael, Whisper Not, de Benny Golson, e So In Love, de Cole Porter. Depois foi a vez da tão esperada Luciana Souza, cantora paulistana que está radicada nos Estados Unidos há dez anos. Luciana estava acompanhada de Alberto Continentino (baixo), Márcio Bahia (bateria) e de Fred Hersch (piano). A cantora provou por que é considerada uma das maiores revelações pela imprensa americana. Sua voz e jeito de cantar são um misto de duas divas americanas, Cassandra Wilson e Dianne Reeves, e da brasileira Leny Andrade.Luciana mostrou-se à vontade no palco e disse que era um sonho poder voltar ao Brasil e ainda mais acompanhada de musicos tão talentosos como o pianista Fred Hersch, de quem é fã, e do baterista Bahia, que trabalha há décadas com Hermeto Pascoal. A cantora escolheu um repertório perfeito para uma casa das proporções do Directv Music Hall. Luciana deixou claro que tem domínio total sobre sua voz. Em dois momentos a capela, cantando em inglês, ela hipnotizou a platéia com dois poemas musicados do poeta chileno Pablo Neruda. Para acompanhar sua voz, Luciana tocou uma moringa (instrumento de percussão). Filha dos compositores Walter Santos e Tereza Souza, a cantora não deixou de incluir canções dos pais. Destaque para Docemente e Azul Contente. Outros compositores brasileiros também foram lembrados como Luiz Gonzaga e Jacob do Bamdolim. No bis, Corcovado, de Tom Jobim, não poderia ter sido melhor. Luciana terminou sendo ovacionada pela platéia.O público parecia estar satisfeito quando o saxofonista americano Dave Liebman subiu ao palco do Chivas. De pouca conversa, Liebman iniciou o show com um free jazz e mostrou logo de cara que ali estava um mestre. Foi o primeiro momento jazz da noite. O saxofonista teve na retaguarda músicos de primeira. O destaque foi o baterista Marko Marcinko, que arrasou durante todo o concerto. Mas a estrela ali era Liebman. Não importava qual fosse o instrumento, sax soprano, flauta ou sax tenor, ele mostrou que o improviso continua sendo a maior riqueza do jazz. O ponto alto foi quando o grupo fez um pequeno medley com músicas de Tom Jobim. Mas o grande momento foi deixado para o fim, quando Liebman tocou uma versão arrasadora de My Favorite Things, do lendário saxofonista John Coltrane. Com esta música, a noite terminou com duas certezas. A primeira é que o jazz ainda é um ritmo difícil de ser compreendido pela maioria das pessoas. E a segunda, é que grande parte do público brasileiro tem medo do desconhecido. É uma pena.Neste sábado, o festival termina com três atrações: a pianista belga Nathalie Loriers, o trompetista italiano Paolo Fresu e o saxofonista americano Dewey Redman.

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