Met Opera/Divulgação
Met Opera/Divulgação

Lucia, sofrimento e loucura

Natalie Dessay estrela produção da ópera de Donizetti, que será transmitida amanhã nos cinemas

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2011 | 00h00

A soprano francesa Natalie Dessay brinca que tem gênio de bruxa - mas, azar dela, por conta de seu tipo de voz, só vive no palco jovens inocentes e, na maior parte dos casos, sofredoras. Nesse quesito, Lucia di Lammermoor, personagem que dá título a uma das mais célebres óperas do repertório, é praticamente imbatível, atração de amanhã da série de transmissões de montagens do Metropolitan Opera House de Nova York nos cinemas de todo o mundo.

Dessay é a estrela da produção que, no Brasil, será transmitida a partir das 15 horas em alguns cinemas selecionados (em São Paulo, estão na lista o Kinoplex Itaim, o Kinoplex Vila Olímpia e os cinemas dos shoppings Jardim Sul e Eldorado). Ao seu lado, o tenor Joseph Calleja e o barítono Ludovic Teziér, todos sob a regência de Patrick Summers.

Sua interpretação não é uma unanimidade - para muitos, sofre pela falta de expressividade e volume vocal; para outros, é interessante justamente por fugir do modelo herdado de grandes intérpretes do papel de Donizetti, como Maria Callas e Joan Sutherland. Conversando com o Estado pelo telefone, no começo da semana, ela faz referência às duas cantoras, relembrando a excelência vocal de Sutherland e a expressividade do canto de Callas. Mas ressalta que, no fundo, o importante é, ao se deparar com um papel como Lucia, encontrar na sua própria voz a interpretação, sem buscar copiar ou emular modelos.

E, no final das contas, Natalie Dessay não parece preocupada com os críticos. Dona de uma discografia vultosa, que inclui óperas completas e recitais com orquestras, além de uma série de DVDs, ela vive um momento de ampliação de repertório. No segundo semestre, faz sua primeira Violetta, na Traviata de Verdi, no Metropolitan de Nova York. "Claro, há gente que me diz que não estou pronta, que não tenho a voz para cantar Violetta, isso acontece sempre. Mas acredito que posso, em especial se não tentar imitar ninguém mas, sim, fazer aquilo que a minha voz permite", diz ela.

LUCIA DI LAMMERMOOR

Ópera de Gaetano Donizetti. Direção de Mary Zimmerman. Vários cinemas. Amanhã,

às 15 horas. R$ 50.

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