Luchino Visconti ganha ciclo no Eurochannel

Na série de homenagens que o Eurochannel, da TVA, presta a grandes diretores, Luchino Visconti sucede a Jean-Luc Godard (o homenageado de junho). Visconti ganha um ciclo que começa amanhã e prossegue todas as quartas-feiras do mês, sempre às 22 horas. São quatro filmes, começando com Nós, as Mulheres e terminando no dia 26 com o episódio O Trabalho, de Boccaccio 70. Entre esses extremos passam Sedução da Carne, no dia 12, e estréia na televisão brasileira, no dia 19, a versão integral do clássico Rocco e Seus Irmãos.Grande Visconti - Se Godard representou a maneira revolucionária de fazer cinema revolucionário nos anos 60 (não por acaso, ingressou na militância política por volta de 1970), Visconti representava outra coisa - a maneira clássica de fazer revolução no cinema. Pois o esteta e aristocrata Visconti também acreditava na necessidade de mudanças radicais na ordem política e social, de forma a instituir a sociedade mais humana que ele antevê no desfecho de Rocco, quando Luca, o mais jovem dos cinco irmãos, afasta-se por aquela rua que representa a própria estrada da vida.Quatro filmes - Nós, as Mulheres não chega a ser rigorosamente viscontiano, pois o mestre assina um só dos quatro episódios que compõem a produção. Os demais são de Alfredo Guarini, Gianni Franciolini e Roberto Rossellini. Anna Magnani, com quem Visconti havia feito Belíssima em 1951 (Nós, as Mulheres é de 1953), interpreta o episódio de Visconti sobre a dama romana que se recusa a pagar mais pela corrida de táxi, só porque leva o seu cãozinho de estimação. A base do filme é neo-realista, mas o artista já estava em outra, na época, fazendo avançar seu cinema em outras direções.Sedução da Carne, já exibido no Eurochannel, mistura melodrama e a grande história (com maiúscula) para contar a história de Lívia Serpieri, a condessa que se apaixona por desertor austríaco no quadro do Risorgimento (e da batalha de Custoza). Rocco é obra de gênio. A crônica da desintegração de uma família meridional na cidade grande vira uma verdadeira tragédia cinematográfica. E o episódio de Boccaccio 70 é o mais crítico do filme que também tem direção de Federico Fellini e Vittorio De Sica. Romy Schneider é a mulher que cobra para fazer sexo com o marido. Visconti parte daí para discutir, numa perspectiva marxista (O Trabalho), o papel da mulher na sociedade.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.