LUA EM NOITE DE ESTRELAS

Gilberto Gil e Dominguinhos cantam na festa para Gonzagão

LAURO LISBOA GARCIA , ESPECIAL PARA O ESTADO / EXU, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h08

A grande noite do Lua foi estrelada. No palco e no firmamento. Gilberto Gil e Dominguinhos, dois insuspeitos herdeiros da grande música de Luiz Gonzaga (1912-1989), foram protagonistas da festança pelo centenário do Rei do Baião, no dia de seu nascimento e nos arredores de sua cidade, Exu, no sertão pernambucano.

"Olha pro céu, meu amor/ Vê como ele está lindo." Quando Gil cantou esses versos de um dos maiores sucessos de Gonzagão ao fim de seu belo show, fez a poeira levantar com o público formando quadrilha e dançando em círculo. Num clima tranquilo de celebração, com som de ótima qualidade e grandes músicos no palco, o show de Gil foi o ponto alto da noite, emocionando e alegrando famílias inteiras, casais de namorados, grupos de amigos, idosos e crianças.

Depois de sua apresentação, numa rápida entrevista coletiva, ele retrucou um estudante da UNE (União Nacional dos Estudantes) que, equivocadamente, achava que Luiz Gonzaga precisava "ser mais conhecido entre os jovens". "Mas os jovens conhecem Gonzaga", disse Gil. Tanto é verdade que clássicos como Baião da Penha, Qui Nem Jiló, Asa Branca, São João do Carneirinho e Olha pro Céu foram acompanhados em coro pela plateia de cerca de 4 mil pessoas.

Tanto Gil como Dominguinhos não se limitaram a interpretar o cancioneiro gonzaguiano, mesclando-o com respectivas canções autorais e de outros compositores. Curiosamente, os momentos de pico do show de Gil foram os reggaes de Bob Marley e dele próprio (Vamos Fugir).

Ele também cantou sucessos de Dominguinhos, que ele ajudou a popularizar no Brasil na década de 1970, bem como, ao lado de Caetano Veloso, reinseriu na MPB naquele mesmo período o baião e a música de Gonzaga, que tinham saído de cena - como ele lembrou na entrevista pós-show. De festas de largo como esta, muito comuns no Nordeste, Gil está habituado a participar, como contou. "E é sempre assim." Para Dominguinhos, "o negócio do centenário é só um número". "Depois a gente continua fazendo festa do mesmo jeito."

Em ambos os shows, temas menos conhecidos do vasto repertório de Gonzaga foram poucos, entre eles um instrumental que melhor representa o elo entre Dominguinhos e Gonzaga (como lembrou Gil), e o choro 13 de Dezembro, em que o baiano tropicalista colocou letra anos depois da gravação do Lua.

"Nunca foi tão necessário cantar Asa Branca novamente, porque a seca está muito forte, matando tudo. Mas não vai demorar pra chuva bater por aqui e a gente vai deixar de cantar Asa Branca por um bom tempo", disse Dominguinhos. As vozes e os foles da seca lavaram a aridez do clima com poesia - que também se faz necessária para segurar esse rojão.

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