Divulgação/Netflix
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Stranger Things exagera na enrolação e vira a melhor linguiçaria do streaming

Enquanto isso, terceiro volume de Love, Death & Robots desenha o destino da humanidade e ele não poderia ser pior - para nós; confira também dois filmes que talvez nem valha a pena ver

Simião Castro, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2022 | 03h00
Atualizado 01 de junho de 2022 | 08h33

Correções: 30/05/2022 | 08h32

O mundo invertido retorna com a atual tendência chata do streaming: temporadas pela metade. Stranger Things já lançou os esperados sete episódios da primeira parte da penúltima temporada.

Até aqui, nada mudou. É a repetição da estrutura - vencedora - de começar 'tudo bem' e expôr as personagens a um monstro cada vez maior para, então, tentar derrotá-lo.

Caos ultradimensional

Não vemos nada além da mesma receita de todas as temporadas, exceto agora pela proporção cataclísmica. E os episódios exageradamente longos.

Talvez a linguiçaria mais bem escrita do streaming, digna de maratona. Resta esperar Hopper morrer para valer em algum momento! #Polêmica.

Deu ruim pra humanidade

Poucas produções distópicas conseguem ser tão eficientes na futurologia do que nos espera quanto Love, Death & Robots, da Netflix.

A série animada recupera o fôlego no terceiro volume, mantendo a linha de episódios independentes unidos apenas pela temática pós-humana. 

Feitos e dirigidos por diferentes equipes, os capítulos usam técnicas muito diversas, entregando desde visuais quase totalmente realistas até os cenários psicodélicos mais inesperados.

Com nomes como David Fincher (Mank, Seven, House of Cards) e Tim Miller (Deadpool) na produção, os gêneros também variam: fantasia, terror e até comédia. 

Sobrou pra quem?

O episódio Os Três Robôs é dos mais engraçados e sarcásticos. Ele acompanha os personagens-título em uma Terra pós-apocalíptica, numa exploração das causas da extinção humana.

Eles surgem na primeira temporada e voltam agora, em uma sequência de puro deboche com a ganância, arrogância e soberba da nossa espécie.

 

 

Viagem ruim 

Fincher dirige provavelmente o mais sombrio dos nove episódios desse volume. O conto meio “piratesco” de um megacaranguejo que invade o navio e faz da tripulação refém - comunicando-se num modo meio Independence Day.

Mas um dos mais divertidos é Noite dos Minimortos, em que um coito - sim - desencadeia uma série de eventos que terminam no apocalipse zumbi. Tudo visto do alto, como se o planeta nada mais fosse que uma miniatura. 

Queda lunar 

Não lembro de ter visto nada tão ruim recentemente quanto Moonfall, disponível no Amazon Prime Video. Vi para você não precisar.

Vale apontar a discrepância de avaliações no Rotten Tomatoes: 37% de aprovação dos críticos e 70% da audiência. 

 

Terraplanista

A produção até tenta, com elenco interessante que traz Halle Berry e participações como as de Donald Sutherland e Michael Peña. Mas é preguiçoso e relapso.

Sem falar no desserviço conspiratório só perdoável porque, afinal, ficção. O tipo de filme que deu vontade de ver no cinema, só para rir em público do ridículo.

Não veja. Ou veja, se não quiser pensar.

Infinito 

Também com elementos conspiratórios, mas de sociedades secretas guerreando pelo poder, Infinite é quase unanimidade de rejeição. O filme do Paramount+ tem só 15% de aprovação entre os críticos do Rotten Tomatoes e 34% da audiência.

Típica ação de fim de domingo, com muito barulho, tiro e correria para espantar o sono. Com diálogos ultraexpositivos e dilemas de menos, nem Mark Wahlberg salva. Você não pode deixar de perder.

 

Correções
30/05/2022 | 08h32

A quarta temporada de Stranger Things é a penúltima da série da Netflix, e não a última, como versão anterior desyte texto informava. E o serviço de straming liberou sete episódios na fase 1, e não quatro como escrito anteriormente.

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