Louise Cardoso faz papel de cachorra na peça "Sylvia"

Em sua primeira atuaçãoprofissional, a atriz Louise Cardoso ganhou um prêmio de revelaçãofazendo o papel de um gato na peça O Dragão, de EugeneSwartz. Passados 25 anos, sua marcante interpretação aindaestava gravada na memória do dramaturgo Flávio Marinho queimediatamente se lembrou dela ao assistir, em Nova York, a peçaSylvia, na qual a atriz Sarah Jessica Parker interpretavauma cadela, papel que lhe valeu um Tony, um dos prêmios maisimportantes do teatro americano. De volta ao Brasil, Marinho presenteou Louise Cardosocom o texto da peça, de autoria do americano A.R. Gurney. Suaintuição estava certa. Louise apaixonou-se pela peça, convidouMarinho para assinar a versão brasileira e Aderbal Freire-Filhopara a direção. Depois de uma temporada carioca, Sylviaestréia nesta sexta-feira em São Paulo, no Teatro Cultura Artística. Noelenco, além de Louise, estão André Valli, Guida Vianna eMarcelo Saback. "Sylvia é um papel ainda mais complicado do que aquelegato, porque ela é uma cachorra humanizada pelo dono. Ela anda,fala, canta em francês, chora e ri. Pelo menos é assim que seudono a vê. E o espectador também. Ao mesmo tempo, há momentos emque ela late, é cachorra mesmo. A peça vai de um diapasão aoutro. Tive de fazer uma mulher que tem um cachorro por dentro.E temia cair na caricatura." Uma das primeiras frases da"cachorra" em cena é "eu te amo". Embora o espetáculoexplore esse amor entre homem e animal seu alvo está mais longe- atinge a relação homem e mulher. Valli interpreta Gil, um homem que vive uma dupla crise,de idade e profissional. Kátia, sua mulher, ao contrário, é umaintelectual cuja carreira está em ascensão. Mais que isso.Professora de literatura, ela tem ambições como levar "altacultura" a crianças de periferia entre outros planos derealização profissional e pessoal. Gil sempre atuou no mercadofinanceiro e está profundamente melancólico, insatisfeito com opresente e sem planos para o futuro. No meio dessa crise, ele acha uma "cachorra" na rua ea leva para casa. Estabelece com ela uma relação tão forte, quedesperta os ciúmes da mulher e interfere na relação de ambos,depois de 22 anos de casamento. "Essa cachorra não tem nada deboazinha. Antes de mais nada, ela quer uma casa. E vai fazertudo para isso. Ela realmente gosta do Gil. Mas quer todas asatenções. E compete com a Kátia que representa uma ameça, alguémque pode expulsá-la dali a qualquer momento", diz Louise. "Mas claro que tudo isso é mostrado na chave dacomédia. Sylvia não é um tratado sobre relações humanas. Eudiria que é uma peça de bons sentimentos, até ingênua, que falasobre saber compartilhar, sobre companheirismo." Freire-Filhooptou por uma direção dinâmica e pela síntese no cenárioassinado por Gringo Cardia. Em vez de uma casa realista, apenasum banco e um sofá, que tanto servem para ambientar a casa, umapraça, consultório de analista de casais ou saguão deaeroporto. "A primeira imagem que me veio foi a linguagem dosquadrinhos, aquelas tiras nas quais o cachorro fala", lembraFreire-Filho. Sua concepção espacial remete a essa linguagem,por meio de painéis de fundo colorido, basicamente em coresprimárias e fortes. Até o piso é amarelo e vermelho. "Optei poruma estética simples, como a peça, e sugestiva, que deixa a açãofluir e ressalta o jogo dos atores."Serviço - Sylvia. De A.R.Gurney. Adaptação Flávio Marinho.Direção Aderbal Freire-Filho. Duração: 90 min. Sexta e sábado, às21 horas; domingo, às 18 horas. R$ 30,00 e R$ 35,00 (sábado).Teatro Cultura Artística - Sala Rubens Sverner. Rua NestorPestana, 196, São Paulo, tel. 3258-3616. Até 3/6. Patrocínio:Embratel. Nesta sexta-feira, somente para convidados.

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