Louco por um tiroteio

Clive Owen adora cenas de luta como as do seu novo filme, Os Especialistas

ELAINE GUERINI, ESPECIAL PARA O ESTADO, TORONTO , O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2011 | 03h08

Clive Owen não esconde a paixão por futebol, assunto que sempre o entusiasma nas entrevistas - mais até que cinema. Ao ouvir que a repórter é do Brasil, o inglês já adianta que planeja visitar o país em 2014, durante a Copa do Mundo. "É a oportunidade perfeita para conhecer a terra do futebol", afirma o ator, torcedor do Liverpool, time onde Lucas (ex-Grêmio) joga como volante desde 2007. "Admiro o futebol do brasileiro por ser criativo e dinâmico", diz Owen, conhecido por algumas excentricidades em nome do esporte.

"Já fiz uma equipe de filmagem conseguir uma TV no meio do deserto, só para eu ver uma partida dos Reds (como é chamado o time de Liverpool no Reino Unido)", conta, rindo. E quando um estúdio insiste em fazê-lo promover um filme no dia de um "jogo imperdível", Owen simplesmente chega atrasado para dar entrevista. "No começo da carreira, eu me desculpava e alegava problemas pessoais. Hoje, como todo mundo já sabe do meu fanatismo, nem preciso inventar histórias."

Desta vez, o motivo que levou o ator a receber a imprensa foi o thriller de ação Os Especialistas. Depois da première mundial no Festival de Toronto, o filme chega hoje às telas brasileiras, trazendo Owen no papel de um ex-membro das forças especiais do exército inglês. Spike, seu personagem, agora atua numa organização secreta e precisa impedir Danny (Jason Statham), outro ex-soldado, de matar três oficiais britânicos. Danny só aceita a missão depois que o seu mentor, Hunter (Robert De Niro), é sequestrado por xeique de Omã - o mandante do crime.

"Fui atraído pela ideia de pertencer a um time de elite de soldados, homens que vivenciam experiências intensas e extraordinárias, sobretudo em tempos de guerras", conta o ator. Durante a preparação para o filme (intitulado em inglês 'Killer Elite'), Owen assistiu à produção nacional assinada por José Padilha, Tropa de Elite (2007), por esta também retratar agentes de forças especiais. "Gostei muito do filme brasileiro pela energia e pela tensão que não deixam o espectador tirar o olho da tela. Se Padilha quiser trabalhar comigo, basta me chamar."

Formado pela Royal Academy of Dramatic Art inglesa, Owen não dispensa uma boa cena de luta nos sets de filmagem. As porradas, perseguições, tiroteios e explosões que pontuam a trama de Os Especialistas o encorajaram ainda mais a aceitar o convite do diretor Gary McKendry - estreante em longa-metragem. "Nunca tive preconceito com filmes de ação. Coreografar um confronto corporal é pura interpretação. É como um diálogo, para o qual é preciso encontrar o ritmo certo", afirma o ator, visto recentemente em outros thrillers, como Trama Internacional (2009) e Mandando Bala (2007).

Será que Owen tem queda por esses tipos durões no cinema? "Talvez. Só posso dizer que é muito divertido posar de herói de ação. Ainda mais na minha idade", brinca o ator, de 47 anos. "Por sorte, consigo equilibrar a carreira com sujeitos mais vulneráveis", diz, referindo-se provavelmente ao pai solteiro de The Boys Are Back (2009), ao executivo vítima de golpe de Fora de Rumo (2005) e ao médico traído de Closer - Perto Demais (2004). Por essa última atuação, contracenando com Julia Roberts, ele foi indicado para o Oscar de melhor coadjuvante.

Avesso à badalação de Hollywood, o ator prefere morar com a família em Londres. Owen tem duas filhas (Hannah, de 14 anos, e Eve, de 12) com a ex-atriz Sarah-Jane Fenton - que ele conheceu durante montagem teatral de Romeu e Julieta, no fim dos anos 80. "Posso ser colega de cena de grandes astros da indústria, mas não sou um deles. Quando saio do set, tenho orgulho de não precisar de seguranças. Seria um constrangimento para um homem do meu tamanho (1m89) entrar acompanhado de brutamontes num pub ou num estádio de futebol, não?"

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