Lost: Evangeline Lilly ainda não se acostumou com a fama

Evangeline Lilly deixou de lado a carreira de modelo fotográfico para tentar a vida de atriz. Em seu primeiro papel na TV, ela interpretou uma morta na série ´Kingdom Hospital´ - e claro, não tinha nem falas. Escalada para ser uma das protagonistas de ´Lost´, Evangeline ainda não se acostumou com a fama. Assim como Kate, sua personagem, a atriz não gosta muito do assédio das pessoas - que às vezes não têm tato ao se aproximar dela - e ri de quem a persegue para conseguir algumas fotos de sua pacata vida para vender às revistas de fofoca. Em uma coletiva de imprensa em Los Angeles (EUA), a bela contou que se emociona com as premiações e com as críticas positivas sobre sua performance na telinha. Você já se acostumou com os tapetes vermelhos e as premiações?Evangeline: Costumava assistir às cerimônias de premiação e, quando via os vencedores tremendo e chorando pensava: "Supere isso. É somente um prêmio! E, quando ganhamos o Emmy, eu praticamente saltei da cadeira, deixei um gritinho sair da minha boca, corri para o palco tremendo e falando: "Oh, meu Deus!"Como você se sente com essa especulação do público sobre seu salário e como você o gasta?Evangeline: Não dá para acreditar em tudo o que você lê. Se você acredita, está sendo iludido. Então, ignoro o que está sendo publicado sobre o show, sobre o elenco - tudo o que não tenha saído da minha boca. A respeito de como gasto meu salário, isso é uma coisa completamente pessoal e privada. Não gosto de gastá-lo comprando muitos carros ou jóias extravagantes... Não gosto de falar muito de dinheiro. Tem gente que chega para mim na rua e pergunta: "Quanto dinheiro você ganha?" E penso que, se eu fosse uma economista, as pessoas não teriam a audácia de se aproximar de um estranho para fazer uma pergunta dessas. Não entendo porque esse trabalho parece permitir que as pessoas não tenham tato com você.Hoje em dia, todos falam sobre a roupa que as atrizes estão vestindo nas premiações... Como você lida com isso agora que os fotógrafos estão sempre atrás de você? Como você escolhe um vestido?Evangeline: Não sei. Não gosto muito disso porque sou uma pessoa que valoriza muito o estilo. Não me importa qual é o seu estilo, mas, se você tem um, se torna uma marca, um sinal de individualidade. E sempre tive isso. E nunca me importei com o que as outras pessoas pensam sobre o meu estilo, porque ele é meu. Então, ser julgada por causa disso não me agrada, mas tento não deixar que isso me afete. Quando há festas de premiação, escolho meu vestido um ou dois dias antes. Tento não fazer disso uma grande questão. Não importa o que as pessoas falem, não ligo muito. Os designers não te mandam vestidos e jóias?Evangeline: O que a maioria dos atores faz é ir a um stylist que tem uma sala cheia de roupas que são enviadas por estilistas que querem ver suas criações no tapete vermelho. Aí você vai até a arara e escolhe um vestido. Você guarda os vestidos?Evangeline: Dou todos para o que chamam de "Clothes Off Your Back" e eles fazem um leilão com renda revertida para instituições de caridade.Então, os estilistas te dão os vestidos?Evangeline: Sim, eles os adaptam a seu corpo, então não há como eles pedirem de volta.Na nova temporada foram publicadas diversas críticas positivas sobre sua atuação. O que você tem feito para melhorar - é o trabalho com os atores ou você está mais confortável com o ofício de atriz?Evangeline: Obrigada. Isso significa tanto para mim. Meus professores são meus colegas de elenco. Tenho aprendido tantas coisas com eles desde o primeiro dia que pisei no set - percebi quantas coisas eles têm para me ensinar e me senti muito sortuda não só porque estou trabalhando com atores incríveis como o Harold Perrineau (Michael, em ´Lost´), mas também porque estou atuando ao lado de atores muito diversificados. Não trabalho com três pessoas que possuem o mesmo estilo de atuação. Então creio que pude falar: "Gosto disso e daquilo. E o que aquela pessoa fez foi muito legal e vou tentar incorporar." Pego pedacinhos das performances de cada um e tento aprender a partir deles. O que vai acontecer com o triângulo amoroso entre Jack, Kate e Sawyer?Evangeline: Odeio dizer isso, porque é muito patético da parte de Kate, mas acho que, atualmente, ela simplesmente caminha para onde há uma porta aberta. Como você faz para trabalhar com um roteiro tão aberto, sem saber muita coisa sobre o que aconteceu e o que vai acontecer com seu personagem?Evangeline: Pode ser muito difícil. Recentemente tive mais uma experiência - que na verdade é só mais uma igual a dezenas de outras que tivemos ao longo das temporadas - em que tive de falar com o diretor por causa de uma fala que havia no roteiro - os roteiristas nunca pisam na bola e sempre fazem um ótimo trabalho. Mas eu disse: "É estranho que Kate fale isso por esse ou por aquele motivo e estou procurando saber o que está acontecendo com ela." E ele me disse: "Apenas diga isso. Confie em mim. Daqui a dois ou três episódios você saberá o porquê." E isso foi tudo o que consegui. E, algumas vezes, quero arrancar meus cabelos quando penso como e por que vou falar certa frase, pois tenho de fazer o público acreditar - e nesse caso, não soava natural nem parecia ter algum sentido. Acho que cada ator do seriado lida com isso de forma diferente. Algumas vezes, simplesmente me acomodo e penso: "Para o inferno com isso, não importa se isso não se encaixa. A responsabilidade não é minha." E outras vezes: "Tudo bem, vou pensar em algo para fazer com que isso pareça ter nexo ou tentar adivinhar o que está acontecendo." Quando vocês começaram a filmar no Havaí, passavam quase despercebidos. Agora há pessoas nadando até a praia e te perseguindo. Como você se sente com tudo isso?Evangeline: Senti isso imensamente quando um cara da produção foi preso por me perseguir durante uma semana inteira. Ele fez a besteira de aparecer em uma propriedade privada, quando estávamos em Kalualua Ranch, com suas lentes e equipamento fotográfico. Eu tinha desencanado porque o que te deixa louca pode também se transformar em piada. Não posso dizer que estou acima disso, porque ainda me incomoda, mas depois me forço a rir da situação. É engraçado que uma pessoa passe 12 horas de seu dia me seguindo para tirar uma foto. Sou uma pessoa meio desinteressante. A foto mais interessante que já tiraram de mim foi quando estava andando de bicicleta com sacolas de compra ou sentada na praia lendo um livro. Levo uma vida bem pacata.A aproximação é diferente no Havaí e em Los Angeles, por exemplo?Evangeline: Aqui em Los Angeles sinto que todos estão tão acostumados com os astros que eles não querem que você perceba que foi reconhecido. Eles são meio que: "Não ligo a mínima. estou acostumado com você." Mas no Havaí sinto como se houvesse uma fraternidade em relação a nós. Tipo: "Vocês são nossos. São nossos astros." Você vai até uma loja e ouve um "ei!" Aí você pensa: "Te conheço?"Milhões de pessoas assistem a ´Lost´. Você esperava todo esse sucesso?Evangeline: No último verão, queria ir a um lugar onde pudesse descansar e ficar longe de tudo isso. E tive de ir para a Ruanda porque tentei outros oito países de quatro continentes e todo mundo conhecia o show. Damon Lindelof (criador da série) nos contou que, nessa temporada, saberemos o que Kate fez e quem ela é. Você está ansiosa para ter essa resposta?Evangeline: Morrendo de ansiedade. É tão bom filmar as cenas e melhor ainda assisti-las. É tão divertido. É ótimo porque estou vivendo esse mistério por mais de ano - e querendo saber o que ele é - e agora tenho a resposta e a chance de interpretá-lo e dar às pessoas essa chave sobre o passado de Kate.

Agencia Estado,

19 de fevereiro de 2006 | 10h12

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