Lorenzo Mammì

"(...) cadarços e panos de cerâmica, reunidos numa espécie de embrulho. Cada elemento (os fios e os panos) tenta amarrar o outro, contê-lo, ao mesmo tempo que escapa dele e extravasa. A dialética dos materiais sugere uma circularidade frouxa como um falso silogismo. O que está dentro e o que está fora, nesses objetos? E, além disso, não há uma certa perversidade no esforço de dobrar a cerâmica para que represente algo que não lhe pertença, algo que devesse ser feito de outro material? De fato, por mais que nos esforcemos, por mais que nos aproximemos deles, não conseguimos olhar esses pacotes como algo que tenha a consistência do grés. E imaginá-los em tecido e corda tampouco seria convincente - são demasiado pastosos, as curvas que desenham são típicas da cerâmica que se assenta. Eles são falsos, simplesmente, sem remeter a nada de verdadeiro. Não representam, e não são. (...)

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