João Caldas/ Divulgação
João Caldas/ Divulgação

Lorca, aqui e agora

Espetáculos olham para política brasileira a partir da obra de Federico García Lorca

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2013 | 02h18

Reedições de livros, estudos acadêmicos e montagens teatrais mantêm viva a obra de Federico García Lorca (1898-1936). Passados 115 anos de seu nascimento, o pensamento do autor segue espalhado mundo afora: a estreia em São Paulo de A Casa de Bernarda Alba, um de seus textos mais conhecidos, comprova isso.

Mas é curioso pensar que esse poeta, reverenciado por tantas culturas, tenha escrito, essencialmente, sobre aquilo que viu em seu país natal. Em cada um dos seus títulos, desponta sempre um retrato da Espanha, mais especificamente da Andaluzia. "Amo a minha terra. Eu me sinto ligado a ela em todas as minhas emoções", escreveu. "Minhas mais antigas recordações de criança têm sabor de terra. Os bichos, os camponeses, são sugestões que chegam a poucos. Mas as capto com o mesmo espírito de meus anos infantis. Do contrário, não poderia ter escrito Bodas de Sangue."

Nem Bodas de Sangue, nem Yerma, nem A Casa de Bernarda Alba: em sua trilogia de peças, ele estava a captar em profundidade essa "cor" local.

Lorca não estava ligado apenas ao espaço, mas ao tempo. As imagens que traçou nunca aparecem descoladas da época em que viveu: às vésperas da Guerra Civil Espanhola, da ameaça do franquismo. Tudo aparentemente muito distante do Brasil de 2013, mas que dois espetáculos lançados neste ano - A Casa de Bernarda Alba e Cantata para Um Bastidor de Utopias - conseguem trazer para muito perto. Aqui e agora.

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