Longa de Karim Aïnouz em Cannes

O Abismo Prateado, inspirado por música de Chico Buarque, vai à Quinzena

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2011 | 00h00

E o Brasil, mesmo não participando da competição em Cannes, vai marcar presença em importantes seções do maior evento de cinema do mundo, no mês que vem. Depois do longa Trabalhar Cansa, de Marco Dutra e Juliana Rojas, na mostra Un Certain Regard, do curta Permanência, de Ricardo Alves Júnior - que vai concorrer ao prêmio da categoria - na Semana da Crítica e do projeto de Gustavo Melo (1994) na oficina de novos realizadores, agora é Karim Aïnouz que participa da seleção da Quinzena dos Realizadores.

Quem vai a Cannes, sabe. De todas as seções do festival, a Quinzena é a que mais privilegia a invenção de linguagem. Aïnouz estará no lugar certo. Com Madame Satã, ele esteve em Cannes na mostra Um Certo Olhar; com O Céu de Suely e Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (em parceria com Marcelo Gomes) foi a Veneza, na seção Horizontes, e agora retorna a Cannes na Quinzena. "É muito bacana, estou superanimado e também já com aquele friozinho antecipado na barriga, esperando a reação do público. Cannes é a maior vitrine do cinema do mundo. Como esse pessoal vai ver O Abismo Prateado?"

É o título do novo filme de Aïnouz, estrelado por Alessandra Negrini, a Cleópatra, de Júlio Bressane. Aïnouz revela o mínimo sobre o filme, para não desvendar seus mistérios. "Nasceu de uma proposta do produtor Rodrigo Teixeira. Ele tinha os direitos da canção de Chico Buarque, Olhos nos Olhos. Me pediu que fizesse um filme a partir dela." Como roteirista e diretor - criou Alice na TV -, o autor tem investigado as mulheres com a mesma fascinação que revela pela linguagem. O Abismo Prateado tenta unir as duas pontas, de novo.

O filme acompanha 24 horas na vida de uma mulher que recebe uma notícia decisiva. Passa-se numa Copacabana noturna, mas não sórdida. Chico já viu o filme? "Ninguém viu. O próprio festival assistiu apenas a uma cópia de serviço em DVD, não finalizada. Estou trabalhando para que fique bem bonito. Vamos tentar levar o Chico a Cannes. Ainda não o conheço. Espero surpreendê-lo."

Dos 21 filmes que integram a programação da Quinzena em 2011, dois são latinos. Além do longa brasileiro, a seleção contempla também a Colômbia, em coprodução com a França e o Uruguai - o filme é Porfírio, de Alejandro Landes. Um terceiro filme, a produção mexicana e americana Mila Caos, de Simon Paetaus, terá exibição especial, à margem da seleção. A França será representada por quatro filmes. Imperdonables, Imperdoáveis, leva a assinatura do veterano André Techiné. Os demais são de jovens diretores e vão concorrer à Caméra d"Or, que é a Palma de Ouro dos estreantes - Après le Sud, de Jean-Jacques Jauffret; En Ville, de Valerie Mrejen e Betrand Schefer; e La Fin du Silence, de Roland Edzard.

Na gala de abertura da Quinzena, dia 12 de maio, será outorgado o prêmio que a Sociedade dos Realizadores da França destina a um autor importante. Nos últimos anos, foram premiados Alain Cavalier, Jim Jarmusch, Naomi Kawase e Agnès Varda. O premiado de 2011 será Jafar Panahi, atualmente na prisão, no Irã.

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