Londres terá exposição sobre 'Jack, o Estripador'

Mostra dedicada ao 'primeiro serial killer' trará documentos inéditos, buscando esclarecer os crimes

Emilia Pérez, da Efe,

29 Fevereiro 2008 | 16h21

Através de documentos policiais originais, recortes de jornais e cartas, tanto de cidadãos quanto do suposto assassino, uma exposição analisará em Londres a figura de "Jack, o Estripador".     Esta será "a primeira grande exposição" dedicada àquele que é considerado "o primeiro 'serial killer' moderno", que matou e mutilou cinco prostitutas em 1888, destacou nesta sexta-feira, 29, um dos curadores da mostra, Alex Werner, em entrevista coletiva para apresentá-la.   Whitechapel, no leste de Londres, o Museu das Docklands voltará, entre 15 de maio e 2 de novembro deste ano, à cena do crime com a exposição "Jack the Ripper and the East End".   "Os visitantes terão a oportunidade de entrar no mundo onde aconteceram os crimes e tirar suas próprias conclusões sobre uma história que continua fascinando e causando comoção", apontou também curadora da exposição.   Para ajudar o público a mergulhar no passado, a exposição permitirá examinar, pela primeira vez, os documentos policiais originais relativos aos assassinatos e à investigação.   Além disso, contará com objetos pessoais das vítimas, fotografias, recortes de jornais e cartas, tanto as enviadas por cidadãos assustados à Scotland Yard, quanto a famosa carta assinada por um tal Jack, o Estripador, que deu origem ao famoso pseudônimo.   A exposição permitirá também fazer um acompanhamento sobre como os crimes se desenvolveram, entender mais sobre a vida das vítimas e sobre o mundo de prostituição, miséria e crime no qual viviam os britânicos no final do período vitoriano.   Hoffband destacou que a mostra não ficará centrada unicamente nas cinco vítimas atribuídas ao "Estripador", mas também em outras seis mulheres que foram assassinadas na época, crimes vinculados ao célebre assassino pela Polícia e pela imprensa.   "Não sabemos quantas mulheres ele matou e também não se chegou a saber na época", destacou a curadora.   A exposição reproduzirá também as múltiplas teorias que, desde 1888, surgiram sobre quem poderia ter sido Jack, o Estripador, de um barbeiro polonês chamado Aaron Kosminski ao príncipe Albert Victor, neto da rainha Vitória, passando pelo pintor Walter Sickert.   A mostra analisará também o desafio que foram os crimes para a Polícia britânica, incapaz na época de recorrer às atuais perícias para identificar o assassino, e a pressão social existente para encontrar um nome.   "Jack the Ripper and the East End" também mostrará como a imprensa foi influenciada pelos assassinatos cometidos por aquele que foi eleito - por seus compatriotas - como o pior britânico do milênio, e que deram lugar a uma das maiores investigações policiais de todos os tempos.   "Houve uma competição feroz entre os jornais para produzir as histórias mais sensacionalistas", destacou Werner, ressaltando como os jornalistas da época perceberam "muito rápido" que estavam diante uma grande história, que gerou impacto também na imprensa internacional.   Ciente do interesse que gera a figura do "Estripador", o museu completará a exposição com uma série de debates não só sobre o assassino, mas também sobre a Whitechapel (ou East End) da época e a publicação de um livro com prólogo do escritor Peter Ackroyd, além de visitas guiadas às cenas do crime e pelos locais onde viviam as vítimas.   A iniciativa pretende jogar alguma luz sobre o mistério que ronda Jack, o estripador, aquele que, apesar de ter sua identidade desconhecida, continua sendo um dos personagens mais famosos do mundo.

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