Loja parisiense esconde segredos das cores pastéis de Degas

Escondida ao lado de uma lavanderia numpátio parisiense escuro, a firma que abasteceu o mestreimpressionista Edgar Degas com as cores pastéis brilhantes queele usou em algumas de suas telas mais famosas continua afuncionar. "La Maison du Pastel", uma loja simples e sem adornos nobairro do Marais, aparentemente não modificada desde a décadade 1920, abre apenas nas tardes de quinta-feira, e há pouco emsua fachada que traia sua longa tradição. Até recentemente, ela foi uma operação quase clandestinacuidada por três irmãs idosas que levavam adiante o trabalho deseu avô, Henri Roche, que assumiu o negócio em 1878. A portaainda ostenta uma placa metálica gasta com a inscrição "H.Roche." "Há sete anos, quando comecei a trabalhar aqui, nem sequerhavia telefone na loja", disse a parente mais jovem das trêsirmãs, Isabelle Roche, que aprendeu com elas as técnicas efórmulas secretas da família antes de assumir a direção dafirma, em 2000. "Elas trabalhavam com um grupo muito pequeno de clientesque abasteciam havia 30 anos, e ninguém sabia realmente daexistência da firma." Químico que frequentava círculos artísticos, Henri Rochecomeçou a desenvolver novos métodos de produzir pastéis depoisde trabalhar com um artesão cuja oficina datava do início doséculo 18. Os pastéis --bastões secos, semelhantes a giz de cera, quecriam uma textura anuviada distintiva sobre o papel -- foramusados primeiramente no século 17, mas Roche produziu coresespecialmente intensas que em pouco tempo começaram a fazersucesso com alguns dos artistas mais importantes de sua época. Degas, um dos fundadores do movimento impressionista, eracliente fiel de Henri Roche, tendo usado seus pastéis em umasérie famosa de quadros de bailarinas de balé. Outros artistasque usavam os pastéis de Roche incluíram Alfred Sisley, osimbolista Odilon Redon e Raoul Dufy, seguidor da coloridaescola fauvista. O filho de Henri Roche --também chamado Henri-- ampliou eaprofundou o trabalho de seu pai, e hoje a Roche é uma dasúltimas empresas que ainda produzem pastéis fabricados à mão,que, considera-se, rendem cores muito mais profundas e fortesque seus equivalente industrializados, mais baratos.

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