Loira em pele de cordeiro

Um papo com Mette Lindberg, a frontwoman do grupo Asteroids Galaxy Tour, que toca no Cine Joia

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2012 | 03h09

O pop escandinavo maravilhou os ouvidos do mundo na última década. Desde o Abba, a Escandinávia não criava tanta diversidade: Lykke Li, Fever Ray, Annie, Robyn, Jens Lekman, Peter, Björn and John. Na semana que vem, uma dessas criaturas volta ao Brasil. Trata-se do sexteto Asteroids Galaxy Tour, que toca no dia 28, sábado, no Cine Joia. Eles já estiveram no Brasil, no ano passado, para o Rock in Rio.

Encabeçado pela sobrenatural loira dinamarquesa Mette Lindberg e pelo produtor Lars Iversen, o grupo explodiu quando duas músicas suas foram escolhidas para campanhas publicitárias mundiais (leia ao lado). Mette Lindberg falou ao Estado por telefone, ontem.

Qual sua lembrança do show no Rock in Rio?

A gente vinha de uma turnê pela Europa e íamos tocar pela primeira vez na América do Sul. Era um sonho se tornando realidade. A gente pensava que seria no palco principal, mas acabamos num palco menor. Foi bacana, mas na hora em que a gente tocava explodiram os fogos de artifício da abertura oficial do Rock in Rio, o público estava mais focado naquilo. Atrapalhou um pouco.

O seu novo disco, Out of Frequency, lançado esse ano, é um pouco mais pesado do que o anterior, Fruit, você não acha?

Sim, é mais eletrônico, mais pesado, tem mais guitarras. Muita gente diz que a gente faz "happy music", mas nossas letras falam de um mundo não tão otimista. É complicado, é preciso ficar atento à bagagem nos aeroportos, não há uma confiança plena nas pessoas.

Estilo é um componente muito forte no seu show. Você é ligada ao mundo fashion?

Não sou. Visto o que gosto, o que acho bacana. Pode ser alguma coisa barata, mas pode ser algo caro também. Adoro roupas esportivas, gosto de combinar coisas. Mas nunca visto algo só porque é popular. Às vezes me inspiro num filme que vejo, às vezes numa outra garota num café. Mas tenho muitos fãs fashion, muita gente que vem me perguntar: "O que é isso que você está vestindo? Como compro isso?" Eu fui muito influenciada pelo glam rock, adorava ouvir David Bowie. Gosto demais daquelas coisas glitter, botas. Também fui fissurada no filme Velvet Goldmine. Sempre prestei muita atenção nas roupas de Michael Jackson, Mick Jagger, Iggy Pop. Curiosamente, só cantores homens.

Você parece conectada também àquela tradição criada por Serge Gainsbourg, na França, com divas como Jane Birkin e Brigitte Bardot.

Gosto daquilo. Eu também amo cantar jazz, coisas mais soft. Quando começamos, eu e Lars, a gente tinha essa predileção: amávamos soul, jazz, gostávamos de colocar metais na música. O outro ponto é que a gente queria algo que fosse primitivo, de certa forma arriscado, porque queríamos um canto natural em cena. Sabe? Causar uma impressão: essa figura nasceu cantando. Não éramos parte de uma cena escandinava, nenhuma cena musical como aquela de Manchester.

A sua voz tem de fato essa despretensão.

Isso é o que eu amo no fato de ser cantora. A voz pode imitar muitos sons. Posso fazer scats, posso brincar macaqueando alguém. Posso cantar de um jeito sexy e de um jeito desesperado. É por isso que dizemos que é o mais poderoso dos instrumentos. Eu sou a frontwoman da banda, então quando tocamos em festivais todo mundo identifica a banda com a minha imagem. Muita gente vai aos festivais sem saber direito o que vai encontrar. Aí me vê e pergunta: "O que é isso?". É legal, você pode converter alguém. Mas shows menores são mais tocantes. Todo mundo sabe quem é quem no grupo, conhece da cantora ao baterista. Dá uma sensação mais reconfortante.

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