Locarno homenageia Argento, mestre do horror

Entre os brasileiros, domingo foi a vez de 'Com os Punhos Cerrados', que fala do tema das rádios livres no Ceará

FLAVIA GUERRA / LOCARNO, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2014 | 02h05

Entre os filmes que movimentam Locarno, a cidade suíça que fala italiano e é mais próxima de Milão que de Genebra, não é acaso que o cinema italiano tenha especial acolhida. Além da mostra especial dos grandes clássicos da lendária produtora Titanus (de O Leopardo, Duas Mulheres e Rocco e Seus Irmãos), no fim de semana foi a vez de outros dois nomes do bel paese ganharem destaque.

O primeiro é o mestre do cinema de horror, Dario Argento. Diretor de obras como Suspiria, recebeu o prêmio Pardo pela carreira. "O que inspira até hoje são grandes autores, como Edgar Alan Poe, que descobri ainda menino. E a família. Tudo vem da família. Tudo nasce quando ainda se é pequeno e frágil", disse ele.

Enquanto isso, o jovem Bonifacio Angius, de 32 anos, único italiano a integrar a competição principal, também busca no núcleo familiar e na desanimadora atual realidade da juventude de seu país a inspiração para narrar o drama de Angelo. Assim como o diretor, o personagem é um jovem de 35 anos que vive na isolada Sassari, na Sardenha. No entanto, há uma grande diferença entre os dois. Bonifacio é um jovem inquieto que, até "por medo de viver na paralisia da inspiração artística que não produz", tem muitas ideias e vive na ansiedade de realizá-las.

Já Angelo não tem paixões. Não trabalha, não tem namorada, tem apenas dois amigos e acaba de perder a mãe. O pai tenta uma aproximação tardia com o filho, mas sem sucesso. Angelo já foi tomado pelo niilismo que se apodera de toda uma geração de jovens, apáticos diante da crise econômica e de um mundo cada vez mais tecnologicamente conectado e emocionalmente desconexo. Ainda assim, há um ponto comum entre os dois. "Eu o entendo. E conheço tantos jovens que não se encaixam. Eu, por exemplo, tenho a sensação de que só sei fazer uma coisa na vida".

Entre os brasileiros, domingo foi a vez de Com os Punhos Cerrados, longa dirigido por Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti, que integra a mostra paralela Signs of Life e conta a história de 3 jovens que criam uma rádio clandestina e invadem as transmissões das rádios tradicionais de Fortaleza com poesias, músicas, citações, arquivos de som e provocações. Contra todo niilismo, clama pela liberdade e por uma sonhada revolução.

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