Lobos e cordeiros na pista

Donos do vigiado duo e selo Wolf + Lamb, Zev e Gadi falam sobre cooperação digital e house music

ROBERTO NASCIMENTO, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2013 | 02h08

Wolf + Lamb, o duo de house music nova-iorquino, gosta de dizer que é o produto de antíteses. O lobo e o carneiro; o vegano e o carnívoro; o sobrevivente de câncer e o bon vivant, como diz uma biografia online da dupla. Desde 2005, estes opostos juntam-se para produzir eletrônica de alto nível, e comandar um dos selos (também chamado Wolf + Lamb) mais vigiados na comunidade de DJs, que lançou o incensado Nicolas Jaar e dá ao mundo faixas de conhecidos da pista como Soul Clap e Slow Hands. Zev Eisenberg e Gadi Misrahi, que formam a dupla e tocam amanhã no clube D.EDGE, falaram por e-mail ao Estado.

A natureza colaborativa do

selo é muito interessante. Vocês trocam de parceiros e dividem as funções de remix toda hora.

Como desenvolveram esta ideia? Aconteceu lentamente, ao longo de muito tempo. Estamos no jogo de produção e lançamentos há quase uma década agora. Às vezes um de nós está mais inspirado, e o outro mais preguiçoso. Às vezes ninguém faz nada. Às vezes estão todos em momentos produtivos.

Os lançamentos também não seguem uma sonoridade específica. Vão de house, a disco, a faixas mais arrastadas. Vocês tentam, como selo ou artistas, responder a tendências atuais na música eletrônica?

Nós respondemos mais a qualquer coisa que nos influencie ao vivo. Quando estamos em Miami, por exemplo, o som fica mais latino. Quando estamos em Nova York, sentimos a atração do r&b e do hip hop. Se você for responder a tendências atuais na música eletrônica, qualquer produção que fizer vai estar fora de moda quando chegar às pistas. Mesmo assim, sempre pensamos na evolução dos gêneros. É isto que mantém vivo o nosso interesse pelo jogo da produção musical.

Existe uma ética de trabalho?

Na verdade, não. Produzir e gerenciar o selo são nossas funções como seres humanos. Às vezes não fazemos nada por duas semanas, às vezes isso dura meses. Mas, eventualmente, a necessidade de produzir algo começa a bater à porta. Sabemos também que nesta indústria podemos ser facilmente esquecidos se não fizermos algo especial de tempos em tempos.

O som dos lançamentos da Wolf + Lamb se inclinam em alguma direção específica este ano? Boa pergunta. Acho que ainda é muito cedo para dizer mas, por enquanto, temos visto tendências na direção do hip hop arrastado e do electro. No entanto, isto não quer dizer nada. De repente, um dos nosso caras surge com uma faixa completamente diferente e muda o rumo do selo.

Soube que o selo colabora

bastante através de serviços de envio de arquivos, como o

YouSendit. Isso ajuda?

Já que todos estão bem afastados uns dos outros, sim. Mas essa é uma pequena parte do nosso processo. Na maioria das vezes, passamos o nosso tempo no estúdio e o pessoal acaba inclusive dormindo lá.

Como está a cena de Nova York hoje em dia? Sempre lemos notícias sobre o alto preço dos aluguéis. Isto afeta?

Acabamos de voltar de um longo inverno em Miami, e Nova York promete. Você só precisa sacrificar algumas coisas, como a comida, por exemplo... Mas deixando de lado a brincadeira, não fazemos ideia de como os moleques conseguem bancar a vida aqui. É um grande mistério para nós.

Como vocês começaram

o selo?

Nós nos conhecemos há 12 anos em uma festa. Nós dois já éramos DJs, mas queríamos criar algo novo, algo que não encontrávamos em Nova York porque a cena underground havia desaparecido, porque não haviam mais baladas decentes. O nosso loft, no Brooklyn, acabou se tornando o lugar das festas. Mas demorou um tempo para conseguirmos produzir a primeira música decente.

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