Llosa é alvo de críticas

CORRESPONDENTE

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2011 | 00h00

BUENOS AIRES

A Feira do Livro de Buenos Aires, uma das maiores do mundo hispano, abre suas portas hoje marcada pela polêmica, já que a estrela principal do evento, o Prêmio Nobel Mario Vargas Llosa, é alvo de grupos que querem proibi-lo de fazer sua conferência amanhã. Intelectuais, liderados por Horacio González, presidente da Biblioteca Nacional, pediram semanas atrás o cancelamento do convite a Llosa por suas frequentes críticas ao governo da presidente Cristina Kirchner.

Os intelectuais kirchneristas publicaram um abaixo-assinado para tentar impedir a presença do Nobel, a quem consideram um "defensor do neoliberalismo" e favorável ao que denominam de "depredação" da América Latina "por parte dos capitais estrangeiros". No entanto, a Fundação El Libro, que organiza a feira, rejeitou o pedido dos grupos que exigiam o impedimento a Llosa.

Grupos de militantes kirchneristas prometem marchar hoje até a Feira do Livro, no bairro de Palermo, para protestar contra o peruano. No entanto, apesar das ameaças de protestos, os organizadores da feira permanecem impassíveis. "Não teremos nenhuma operação especial de segurança", afirmou ontem Gabriela Adamo, diretora executiva da feira.

Convidada a participar da inauguração formal da Feira, Cristina Kirchner declinou o convite argumentando que nesse mesmo dia tem o compromisso de um comício para lançar a Corrente Agrária Nacional e Popular.

Llosa tachou de "piqueteiros intelectuais" os escritores que protestam contra sua presença na Feira. E lamentou: "Acho muito triste que intelectuais, colegas que padeceram a censura (na época da ditadura), a pratiquem". Llosa também lamentou o distanciamentos que teve nas últimas três décadas com vários amigos escritores por questões ideológicas.

O autor de A Guerra do Fim do Mundo também aproveitou a polêmica dos últimos dias para desferir novas críticas contra a administração Kirchner: "Esse é um governo corroído pela corrupção". O escritor, nos dois dias prévios à Feira do Livro, manteve reuniões com líderes da oposição.

Antes da abertura da feira, o Nobel dissertou sobre o populismo na América Latina. Em declarações ao jornal La Nación, o escritor definiu-o como "uma prática antiga, na qual os políticos procuram o sucesso imediato. O populismo é sacrificar o futuro em nome de um presente que lhes dá popularidade. Hoje possui formas mais elaboradas, mas o populismo foi aproveitado pela esquerda, pela direita, pelas ditaduras".

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