Llosa diz não escrever pensando no Prêmio Nobel

O escritor peruano Mario Vargas Llosa assegurou hoje, em sua passagem pela Costa Rica, que não se preocupa em ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. O escritor, que por várias ocasiões foi cogitado para receber o prêmio da academia sueca, aconselhou os escritores a não se preocuparem demasiado em obtê-lo. Aproveitou também para dizer que a literatura da América Latina, especialmente a de língua espanhola, "goza de muito boa saúde". Em coletiva concedida em San José, cidade em que está para divulgar sua mais recente novela, La Fiesta del Chivo, Vargas Llosa afirmou que caso receba, "bem-vindo seja o prêmio", mas assegurou que não escreve pensando no Nobel de Literatura. Os escritores "não devem se preocupar, nem dedicar muito tempo pensando" no Nobel, comentou. O escritor peruano, nacionalizado espanhol, negou que esteja buscando igualar-se ao escritor colombiano Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura em 1982, para terminar com uma inimizade de quase trinta anos. Afirmou que ambos, ele e Gárcia Márquez, tem um acordo de não falar sober esse tema, que, assinalou, ficará para os estudiosos: "se é que nós merecemos". Ele aproveitou o momento para dizer que algumas informações a esse respeito sem o mínimo fundamento vem sendo vinculadas. "São informações produzidas por um jornalista com mente de ficcionista", sublinhou. boa saúde - Ele destacou que, levando em conta o pasado da literatura latino-americana, existe hoje uma arte mais leve. Assegurou também que não por isso trata-se de literatura "menos rigorosa". Na qualificação de Vargas Llosa, a nova literatura é "brilhante, amena e criativa". Nesse sentido, opinou ser esta uma tendência literaria que reúne a "intensidade e o compromisso de tempos passados, mas que não perde sua relação com as tendências da literatura mundial".Para o autor de La Fiesta del Chivo o importante na arte literária não é o tema, e sim o tratamento do mesmo. "O exito e o fracasso de uma novela é determinado pelos estilo e forma", explicou o escritor. Preocupado com a situação mundial, Vargas Llosa defendeu o fim do nacionalismo, sobretudo na literatura. "Essa é uma praga histórica que tem coberto este mundo de sangue e de estupidez".

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