Sergei Chirikov/Efe
Sergei Chirikov/Efe

Liz Taylor joias da estrela vão a leilão

Montanhas de luxuosas peças da atriz serão postas à venda em dezembro

Suzy Menkes, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2011 | 00h00

NEW YORK TIMES

Ah, o glamour e a felicidade daqueles tempos. Vestidos de cores vistosas constituem o luxuoso guarda-roupa de Elizabeth Taylor. O conteúdo dos armários da estrela será leiloado em Nova York em dezembro, com joias incomparáveis: a pérola Peregrina, presente de Richard Burton; e os rubis e diamantes, presentes de Mike Todd, que a atriz aceitou antes de pular de alegria numa piscina na Riviera.

As joias fazem parte de uma coleção que Rahul Kadakia, da casa de leilões Christie"s de NY, chama de "as joias da coroa de Hollywood". Liz, que morreu em março aos 79 anos, foi a última das lendas de Hollywood, tão radical e extravagante no guarda-roupa quanto em sua generosidade com seus maridos E seu público. Penduradas no depósito da Christie"s em Long Island City, as roupas projetam um inebriante glamour que parece explodir de suas capas de plástico de tinturaria. Ali estão os longos com flores aplicadas dos seus estilistas favoritos, Dior e Valentino; caftans dos anos 70 e casacos com bordados de pedrarias de Versace da década de 80. Há ainda as calças, de renda, decoradas com margaridas, que usou ao se tornar avó em 1971, aos 39 anos.

Liz tinha especialistas em guarda-roupa do cinema para aumentar o charme de suas roupas de alta-costura, e os estilistas que ela escolheu mais tarde (Gianfranco Ferrè, Christian Lacroix, Thierry Mugler e Oscar de la Renta) tinham enorme percepção teatral.

Mas as peças mais leves e ternas da coleção talvez sejam os anéis dos seus dois casamentos com Richard Burton: duas alianças finas que repousam numa caixa de pelica. Há peças mais dramáticas, como a capa de veludo bordada com escorpiões de cristal, usado no 40.º aniversário de Grace Kelly, do signo de Escorpião. Nessa noite de 1969, Liz usou no pescoço o diamante Taylor-Burton, de quase 70 quilates, símbolo da tempestuosa história de amor do casal.

Há pilhas de malas Vuitton de Liz muito bem viajadas, que serão oferecidas com cartões de identificação da estrela, que declaram em letras grandes sobre etiquetas azuis "Minha". "O equivalente em termos de moda do túmulo de Tutancâmon!", declarou Meredith Smith, historiadora cultural que elaborou os catálogos para os leilões. E indicou os destaques das coleções: de peças de Dior dos anos 60 às primeiras criações de Karl Lagerfeld para a Tiziani de Roma. Segundo ela, a coleção é "fascinante porque foi montada antes que os estilistas do tapete vermelho começassem a trabalhar".

As joias são o que há de mais fantástico: a pérola Peregrina, que fez parte das joias da família real espanhola de 1550, aparece num quadro de Velázquez. Burton deu lance mais alto que o da corte espanhola no leilão de 1969, e comprou a pérola para o 37.º aniversário da esposa. Mas o colar do qual a pérola é pingente é também extraordinário: pérolas, rubis e diamantes indianos, criação de Cartier.

Peças como o colar de safiras de Bulgari, inspirado em Cleópatra, e as grandes esmeraldas verdes do mesmo joalheiro são da maior perfeição. Outra peça histórica é o broche de diamantes do príncipe de Gales pai, que foi da duquesa de Windsor, adquirido em leilão de 1987. Mas no guarda-roupa não há nada que revele o mesmo gosto e olho clínico para as joias. É como se a jovem Elizabeth, sempre vestida pelo estúdio, nunca tenha ido além da ideia de um guarda-roupa de grande efeito. Tudo é vistoso, ousado ou decorado.

Valentino, que vestiu Liz desde que ela escolheu seu vestido de Chiffon branco com barrado de penas de avestruz para o lançamento de Spartacus em Roma (1961), disse que tentou orientá-la em matéria de estilo, mas não conseguiu, e uma capa branca com capuz debruado de peles foi logo recoberta de pérolas. "Elizabeth disse: "Você quer me transformar numa dama elegante, mas eu não passo de uma camponesa"", contou o estilista.

Giancarlo Giammetti, parceiro de Valentino, conta que certa vez ele fez um vestido floral para a cerimônia da premiação do festival de cinema de Taormina e disse-lhe que, por favor, fizesse só um coque. "Mas ao aparecer, ela tinha um coque de um metro de altura com todo o tipo imaginável de flores!" A história mais comovente é a do traje que nunca chegou a ser feito. Giammetti lembra do pedido de Liz no fim de 2010: "Você faria para mim um terninho branco? Agora só uso calças porque estou sempre numa cadeira de rodas". "Não tivemos tempo", diz Valentino. "Ela morreu semanas depois." / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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