Liz Taylor

Trajetória da atriz que morreu ontem, aos 79 anos, retrata a própria grandeza e decadência de Hollywood

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2011 | 00h00

Ela já devia ter instalações próprias no Cedars Sinai, o hospital das celebridades de Hollywood. Nos últimos anos, Elizabeth Taylor havia sido internada muitas vezes, e sempre à beira da morte. Justamente por conta disso - de tanto driblar a morte, tornou-se uma sobrevivente profissional -, parecia que Liz, como era chamada, nunca iria morrer. Pois ela morreu ontem, aos 79 anos, de complicações cardíacas. Internada havia seis semanas, estava acompanhada pelos quatro filhos. Se não foi a maior das estrelas, Liz foi a última superstar - um certo tipo de superstar. Há um antes e depois de Liz Taylor na história do cinema.

Vale reportar-se ao ano de 1960. Liz havia recebido o Oscar por Disque Butterfield 8. O filme de Daniel Mann é ruim demais, a própria interpretação de Liz não se compara a outros momentos fulgurantes de sua carreira. Mas ela, que protagonizara um escândalo ao provocar o divórcio de Eddie Fisher e Debbie Reynolds - para a mídia sensacionalista da época, Liz roubou o marido da amiga -, também tinha a saúde precária e teve de se submeter a uma traqueotomia. Pela primeira vez, há 51 anos (tinha 28), Liz quase morreu. Os votantes da Academia, sensibilizados, lhe outorgaram o Oscar, senão pela qualidade do filme (e da interpretação), como estímulo para a vida.

Era o ano Liz e a empresa Fox, farejando isso, propôs-lhe o papel-título de uma nova versão da história de Cleópatra. A rainha do Nilo, bela mulher, grande amante, parecia talhada para a persona da estrela. Ela não queria fazer o filme. Chutou um salário elevadíssimo, justamente para acabar com as especulações - US$ 1 milhão. A Fox topou na hora. Liz fez história. Mudou as relações de contratos entre os astros (e estrelas) e os estúdios, impôs o diretor, um homem de sua confiança (Joseph L. Mankiewicz).

Cleópatra virou um desastre financeiro. As filmagens foram tumultuadas por problemas de saúde de Liz e por seu romance com o coastro Richard Burton. Ela não inventou a mídia de celebridades, mas com certeza a incrementou-a. Vivendo sua intimidade de forma pública, atraía para o casal a atenção hoje conferida à dupla Brangelina, Angelina Jolie e Brad Pitt. Foram anos de escândalos, bebedeiras, diamantes. Não ofuscam os grandes filmes de que participou. A história pessoal de Elizabeth Taylor é uma súmula da grandeza e decadência da Hollywood dos anos de ouro.

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