Leandro Lima/ Divulgação
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Livros não provocam revolução, diz Gonçalo M. Tavares em Olinda

Autor diz acreditar que literatura é máquina de fazer pensar e não de provocar revoltas, na 7ª Fliporto

Maria Fernanda Rodrigues - O Estado de S. Paulo,

13 de novembro de 2011 | 14h26

OLINDA - Um livro é uma máquina de fazer pensar e não é capaz de provocar uma revolução. O que acontece é que a leitura vai mudando lentamente a cabeça das pessoas, e a leitura de muitos livros, ao longo da vida, coloca todos em estado de lucidez. E aí sim elas podem mudar alguma situação. Essa é a opinião do escritor português Gonçalo M. Tavares, que participou na manhã deste domingo, ao lado do venezuelano Fernando Báez, da 7ª Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto).

"Acredito na força dos livros, mas não acredito que eles provoquem uma revolta. A música, sim, é das coisas que mais incitam a ação", disse Tavares. Para ele, uma pessoa pode até se chocar ao ver uma imagem forte em uma obra qualquer, mas isso não despertará nela o desejo de agir. "Ela só vai agir porque leu muitos livros durante a vida", completou.

E livros, como tudo, não são objetos de pura bondade, disse. "Toda a história do nazismo é a história de centenas de livros violentos que prepararam para a entrada do mal sem limite." Por outro lado, comentou, ele é uma das coisas que mais mudam a cabeça das pessoas. "E não há nada mais importante do que mudar as pessoas."

Ainda hoje na Fliporto, Mamede Jarouche, Ioram Melcer e Edwin Williamson conversam sobre "As 1001 noites de Jorge Luis Borges" e o cineasta Tariq Ali bate-papo com Silio Boccanera sobre as guerras do Paquistão e do Afeganistão. Este domingo marca também a volta de Raimundo Carrero, que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em outubro do ano passado, às festas literárias.

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