Livros feitos na internet chegam ao papel

Performer de peruca laranja, DJ, cerveja, sushi, ET na geladeira e uma autora quase virtual: foi mais ou menos assim, na terça-feira, o lançamento dos dois livros da escritora que atende por Índigo - Festa da Mexerica (Hedra, 128 págs., R$ 23) e Caixinha de Madeira - A Correspondência Secreta de Branca de Neve, Cinderela e Bela Adormecida (Altana, 158 págs., R$ 27) no sacolão da Vila Madalena. O ET na geladeira era de plástico e referência ao primeiro conto de Festa da Mexerica, ET de Cozinha, em que a narradora conta, num ritmo quase de crônica, seu encontro alienígena ("Sei muito bem como esses bichos pensam. Ele fazia o tipinho educado e evoluído, a fim de ganhar minha confiança. Assim que eu relaxasse, ele me abduziria.") Festa da Mexerica é fruto da atividade literária registrada no sítio de Índigo (na cédula de identidade, conhecida por Ana Cristina Araújo Auyer de Oliveira) na internet a partir de 1997. No endereço www.jhendrix.net/indigo, ela "desova", de tempos em tempos, contos que sofrem modificações não regulares (ela diz, por exemplo, que os contos, mesmo depois de publicados em papel, podem mudar). As cartas fictícias do outro livro não foram previamente para a internet porque eram muito longas: "Aí, eu nem ponho", diz a autora. A passagem de suas histórias para o livro é fruto de um movimento cada vez mais comum. Como Índigo, também lançaram recentemente livros nascidos a partir de ficções imaginadas para serem lidas na rede Joca Reiners Terron (Hotel Hell) e Clarah Averbuck (Das Coisas Esquecidas atrás da Estante). No ano que vem, Cecília Gianetti, uma "blogueira" conhecida, deve também chegar ao papel. E já são incontáveis os autores que escrevem para as duas mídias - João Paulo Cuenca, autor de Corpo Presente, mantém até hoje, em www.carmencarmen.blogger.com.br, um "diário do processo de edição e finalização" (agora, já com as primeiras "recepções") do livro, lançado em outubro pela Planeta. "Não teria começado a escrever se não fosse a internet", afirma Índigo. "E muita gente não teria começado a ler."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.