Livros contam a história da sinfonia e da ópera

Dizer que é pequena a bibliografiadisponível no Brasil a respeito da música erudita e da óperatalvez seja exagero, especialmente se apostarmos na incansáveljornada por sebos à procura de edições antigas. Mas em ummercado editorial no qual iniciativas neste sentido sãogeralmente isoladas, é interessante a presença nas livrarias deA Música Sinfônica, editado pela Angra que, há pouco, tambémcolocou no mercado o volume A Ópera.São dois livros que se pretendem didáticos, têm comoobjetivo declarado em suas introduções apresentar ao públicogêneros específicos de composição, a sinfonia e a ópera,despertando o interesse e, com discografias básicas, guiando oleitor em direção à descoberta do repertório. A Ópera éassinada por Fernando Fraga e Blas Matamoro; Enrique Adrián eÁngeles Rabledo são os autores de A Música Sinfônica. Osdois livros fazem parte da coleção A Chave Azul, têm o mesmotradutor, Eduardo Francisco Alves, e foram lançadosoriginalmente pela espanhola Acento Editorial.Os autores de A Música Sinfônica escolheram comométodo a narração da história da sinfonia por meio da trajetóriados compositores que mais contribuíram para a evolução destaforma. Passam, primeiro, por nomes pouco conhecido como MatthiasGeorg Monn (1717-1750) e Georg Christoph Wagenseil (1715-1777),este autor de 60 sinfonias, alguns dos primeiros autores a fugirda forma do concerto - a mais popular do período barroco.O próximo passo acaba sendo Haydn, tido como o pai dasinfonia. O estudo de suas sinfonias mostra, segundo os autores,o porque desta alcunha: ele é responsável por um"aprofundamento e engrandecimento quanto ao conteúdo e formadas sinfonias". Na seqüência, aparece Mozart que, ao mesmotempo em que absorve habilmente as correntes musicais de suaépoca, revoluciona o modo de compor sinfonias, abrindo campopara a presença de Beethoven.Beethoven escreveu nove sinfonias, a Quinta e aNona sem dúvida as mais famosas. Mas desde sua primeira, de1800, ele se mostra como um dos mais poderosos e inovadoressinfonistas, abrindo "possibilidades de expressão musical atéentão desconhecidas". No livro, o próximo capítulo é dedicadoaos poemas sinfônicos, um pulo em direção ao tempo de FranzLiszt e Richard Strauss.Os autores seguem, então, a Schubert e continuam emdireção a Mendelssohn, Schumann, Brahms, Bruckner. E, antes dechegar, com Mahler, ao fim da sinfonia romântica, tratam deDvorak, da música do Leste Europeu, da Rússia, de Tchaikovsky.Dedicam, também, breves análises à produção do gênero na França,na Grã-Bretanha e no norte europeu.A sinfonia no século 20 é tema de um capítulo à parte,que leva os autores de volta à afirmação presente na introduçãode que, nos dias de hoje, a sinfonia anda em crise. Colocaautores que se dedicaram ao formato e analisa, de modo sucinto,o porque da instituição da verdade, longe de ser absoluta, deque o dodecafonismo e a sinfonia são elementos totalmentecontrastantes.Questão de gosto - Em A Ópera, a metodologia dosautores é semelhante à utilizada em A Música Sinfônica.Porém, não passa, até mesmo pela maior abrangência do tema, porautores, mas sim pelas principais escolas. Começa pelonascimento do gênero, na Itália. Passa pela óperas barrocas, doclassicismo, românticas. Dedica capítulos especiais a escolascomo a russa, e também a Wagner e ao Verismo, entrando na óperado século 20.O livro traz também um glossário com os principaistermos utilizados ao longo do livro, explicando desde adiferença entre um tenor e um barítono até a definição deapojatura. E, no fim, lista cem óperas disponíveis em CD. Osautores, por questão de espaço, reconhecem que foram obrigados afazer escolhas. Com as quais é sempre possível discordar: qual omelhor Rigoletto, o de Ettore Bastianini, listado na obra, ou ode Tito Gobbi? Mas aí, como os futuros amantes da música vãoeventualmente perceber, a discussão não chega nunca ao fim.A Música Sinfônica. Editora Angra, 143págs., R$ 21. "A Ópera". Editora Angra, 191 págs., R$ 21.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.