Livro traz design "Made in Brazil"

Por todos os lados, vivemos cercados por informação visual. Somos bombardeados por outdoors, lojas com letreiros luminosos e moças de bonés distribuindo panfletos pelas esquinas. É marca que não acaba mais. Mesmo em casa, convivemos com o design em todos os momentos: espremendo o tubo de pasta de dente ou desembalando com certa dificuldade um absorvente feminino. Exemplos de bom e de mau design, made in Brazil ou importados, estão em todo lugar. Saber identificar a diferença de qualidade entre as soluções encontradas requer, às vezes, um maior conhecimento de seu processo de desenvolvimento. Felizmente, vários dos exemplos do que funciona em design são concebidos por talentosos profissionais tupiniquins. O livro 5 Anos de Design Gráfico no Brasil, que acaba de ser lançado, sintetiza o sucesso editorial da revista Design Gráfico desde o seu começo e celebra a diversidade criativa de alguns dos melhores profissionais do mercado nacional. Além de bons trabalhos de 15 designers, sorteados entre todos os publicados pela revista durante esse período, o livro traz uma breve apresentação de cada profissional. Em 128 páginas, 15 portfólios mostram logomarcas, pôsteres, catálogos, quiosques, embalagens etc. Há nomes de peso. Alexandre Wollner, por exemplo, é um dos pioneiros da profissão no país. Estudou em Ulm, na Alemanha e prestou assessoria para importantes núcleos de design como a SAO, extinta divisão de design da agência de publicidade DPZ. Um dos mais rigorosos e meticulosos designers do mercado, assina marcas corporativas de empresas como a Kablin, Varig, Badesp e Banco Itaú. Desenvolve seu trabalho a partir de um criterioso estudo da forma das letras, cores e, claro, da necessidade do cliente. Wollner não poupa críticas à criação de merchandising e alega que embalagem não é design. "O design na embalagem existe quando há inovação na linguagem visual". De uma geração mais nova, Rico Lins exibe um grande dinamismo em suas criações. Premiado nacional e internacionalmente, carrega uma bagagem multicultural. Em Nova York ocupou o cargo de diretor de arte da CBS Records. Funde design, fotografia, cinema e ilustração com maestria. Criou o novo logotipo da revista Quatro Rodas, assinou o projeto gráfico da versão brasileira da Big, uma conceituada edição temática trimestral que reúne nomes do circuito artístico mundial, além de ter desenvolvido peças promocionais e de publicidade para diversas marcas, como a Zoomp. Influenciado por cinema e artes plásticas, Rogério Duarte destaca-se pela liberdade visual de seu portfólio. O artista, músico, cineasta, escritor e designer está no mercado há 40 anos. Seus projetos são embasados na riqueza da cultura brasileira. Durante a Tropicália, fez capas de discos para Gilberto Gil e Caetano Veloso. Participou ativamente da concepção de cartazes de filmes nacionais, como no belo exemplar para Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Jair de Souza é outro nome importante incluído no livro. Seu portfólio reúne livros como Futebol-Arte, eleito o melhor livro de 1999 na V Bienal de Design de São Paulo. É dele também o cartaz de O que é isso, companheiro? e do festival Rio Cine. Hoje dedica-se às novas possibilidades artísticas na internet. Ainda longe de ser um trabalho definitivo sobre o desenvolvimento do design brasileiro, o livro 5 Anos de Design Gráfico no Brasil é uma correta exibição de projetos bem executados. Os textos são simples, sem indecifráveis termos técnicos para o leitor comum. Peca por apresentar apenas 15 profissionais da área, mas talvez crie um precedente no mercado editorial na divulgação de títulos sobre design gráfico no Brasil. 5 anos de Design Gráfico no Brasil - Coletânea de 15 portfólios publicados na revista Design Gráfico. Editora Market Press; 128 páginas; R$ 55. À venda nas principais livrarias ou pelos telefones 0800-556258 (para todo o Brasil) ou 3722-2800 (para a cidade de São Paulo).

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