Livro sobre cão Marley vira fenômeno literário nos EUA

Para escrever um livro que seja sucesso de vendas, não é necessário estudar muito ou dar a volta ao mundo de bicicleta. Pelo menos não nos EUA, onde um livro que relata as aventuras de um cão labrador figura há 17 semanas na lista das obras mais vendidas.O cão se chama Marley e gosta de morder portas da casa e de engolir objetos valiosos, como jóias. Marley & Me ocupa o número um da lista de livros mais vendidos do jornal The New York Times. A narrativa de John Grodon foi considerada magistral - ele arrancou divertidas observações dos economistas Steven Levitt e Stephen Dubner em Freakonomics.O livro, com o subtítulo de Vida e Amores com o Pior Cachorro do Mundo despertou a emoção dos donos de animais de estimação e de outras figuras que não costumam ser conhecidas exatamente por sua sensibilidade, como Howard Stern. O popular apresentador de rádio, um dos personagens públicos mais grosseiros que se possa imaginar, confessou recentemente que havia "chorado como um bebê" com o relato. John Grogan, autor do livro, afirma, em site, que o cachorro ajuda a moldar "uma família que está sendo construída". John escreveu, em 2003, sobre a morte de seu cachorro de 13 anos em coluna no jornal The Philadelphia Inquirer. Mais de 800 leitores responderam, número 20 vezes maior que o habitual, e desde então a história de Marley, batizado em homenagem ao lendário cantor jamaicano de reggae Bob Marley (1945-1981), se transformou em um fenômeno literário. A editora Morrow havia lançado uma tiragem inicial de 50 mil exemplares. Entretanto, a obra - já em sua 24.ª edição - contabilizou vendas de mais de um milhão de exemplares, número alcançado por pouquíssimos livros a cada ano nos EUA.Como era de se prever, o estúdio cinematográfico Fox 2000 adquiriu, no final de janeiro, os direitos para fazer um filme baseado no livro, que já foi traduzido para 11 línguas. "Temos muito a aprender com nossos cachorros, lições sobre como ter vidas mais interessantes e satisfatórias" afirma John, no site. Isso acontece porque, segundo afirma, muitas das qualidades que os cachorros demonstram sem nenhum esforço, como a lealdade e o amor incondicional, são difíceis de encontrar nos humanos.Em resumo, "quem atua mais como um cachorro tem uma vida mais feliz", diz o autor, que reside na Pensilvânia junto com sua mulher, três filhos, quatro galos e um cachorro labrador muito tranqüilo chamado Gracie.Quanto ao verdadeiro protagonista, o personagem de quatro patas, John Grogan diz ter certeza de que não deixaria o livro durar muito tempo, caso a obra estivesse a seu alcance. "Se pudesse, (o labrador) o teria engolido inteiro, sem deixar nenhum rastro".

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