Livro reúne o trabalho de Garcez, o fotógrafo do "Pasquim"

O fotógrafo Paulo Garcez lançanesta terça-feira, na livraria Argumento (Rua Dias Ferreira, 417, tel.0--21 2239-5294), no Rio, às 20 h, o livro Arte do Encontro(Bem-Te-Vi, R$ 105), que reúne imagens por ele produzidas entreos últimos anos da década de 60 e o final da de 70. Passeiam pelas páginas da edição, com inigualávelnaturalidade, nomes que marcaram a cultura brasileira nestesanos: Nelson Rodrigues, Vinícius de Moraes, Nara Leão, Paulinhoda Viola, Nelson Cavaquinho - para citar apenas alguns queaparecem na capa. O jornalista Sérgio Augusto, autor de um dos textos deapresentação do livro - e também personagem de uma das imagens - escreve que "Jaguar, Millôr, Paulo Francis, Ziraldo, Tarso deCastro, Sérgio Cabral - qualquer um desses podia faltar àsentrevistas do Pasquim, menos Paulo Garcez". E explica: "Não que ele fosse o maior fotógrafo detodos os tempos, e por isso insubstituível, mas nenhum outro(pense alto, vale até Richard Avedon) conseguiria integrar-se aoclima das pândegas entrevistas do Pasquim com a mesmaaisance", com o mesmo desembaraço. Os retratos que Garcez produziu para o Pasquimmarcaram a história do jornal alternativo, mas o fotógrafotambém trabalhou para outros órgãos de imprensa, como a revistaVogue e o Jornal do Brasil. Para Millôr Fernandes, um dos retratados do livro etambém autor de um texto incluído na edição, "no registroespecial de Paulo Garcez percebe-se que, fotografando os outros,ele fotografava a própria vida". Ainda de acordo com Millôr, "os personagens quedesfilam no livro, agora, para sempre, carinhosamentecelebrizados, são todos, ou eram, as pessoas de seu dia-a-dia,noite a noite". Nas fotos de Paulo Garcez, as personalidades aparecemcomo eram, mas nem sempre se mostravam. O melhor exemplo disso éo sorriso incomum do poeta João Cabral de Melo Neto. Também são memoráveis a rude presença de Rubem Braga, emcontraste absoluto com o seu enamorador modo de escrever (OttoLara Resende dizia que "ele era o urso que fabricava o própriomel") e a serenidade de Carlos Drummond de Andrade. Sem contaro olhar amalucado de Jaguar. Outro destaque do livro é a imagem do artista plásticoHélio Oiticica para lá de tranqüilo, fumando um cigarro defabricação própria e artesanal. Isso tudo para não falar das fotos que Garcez fez dasmais belas mulheres que marcaram o imaginário nacional: MarisaBerenson, Alice de Jenlis, Betsy Salles, Regina RosemburgoLéclery, Leila Diniz e, claro, Tônia Carrero. Ruy Castro - Acompanhando as fotos de Paulo Garcez,Arte do Encontro traz legendas assinadas por Ruy Castro. Para algumas delas, nem seria necessário indicar aautoria - como a que acompanha as imagens da Banda de Ipanema("A Banda de Ipanema nasceu para ser a Coluna Prestes quesaísse todo ano, percorrendo os 25 mil km entre as praçasGeneral Osório e N. Sra. da Paz, ida e volta, tocando hinossubversivos como Mamãe, Eu Quero e Alá-la-ô" é um trecho deuma delas). Em outras, a brincadeira vem acompanhada de informaçõese interpretações que refletem exatamente o que a foto mostra.Veja se não é o caso, por exemplo, do que ele escreveu sobreessa turma do Cinema Novo: "Por esse ângulo, percebe-se queArnaldo Jabor, atento a Glauber, também estava na tertúlia. E,de fato, quando Glauber esticava as pernas e parecia relaxar,era bom você prestar atenção."

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