Livro reúne cartas inéditas de Dom Pedro I para amante

Cento e oitenta anos depois de escritas pelo imperador Dom Pedro I e enviadas à sua amante, Domitília de Castro e Canto Melo, a Marquesa de Santos, 94 cartas vêm a público, no livro "Titília e Demonão", do pesquisador brasileiro Paulo Rezzutti. É o maior acervo de correspondências dos amantes já encontrado. E foi descoberto, quase que por acaso, na Hispanic Society of America, em Nova York. As cartas, escritas à mão, revelam um imperador preocupado com a família, com os filhos legítimos e bastardos, além de um amante incorrigível.

AE, Agência Estado

27 Abril 2011 | 11h09

D. Pedro chama a Marquesa de Titília, enquanto ele é O Demonão ou Fogo Foguinho. As aventuras amorosas do imperador eram escancaradas, inclusive com a irmã da Marquesa. Numa dessas cartas, D. Pedro escreve: "Ontem mesmo fiz amor de matrimônio para que hoje, se mecê estiver melhor e com disposição, fazer amor por devoção". Na época, ele era casado com Dona Leopoldina, que morreu aos 29 anos.

As cartas foram localizadas a partir da pesquisa de Rezzutti, que desconfiou que algumas correspondências enviadas pelo Imperador e há anos desaparecidas poderiam estar na Hispanic Society, como de fato estavam. Até então, o mais completo acervo era o do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, com 51 mensagens.

A partir dessas cartas, o autor analisa um dos períodos mais emblemáticos da história do Brasil. Mas o interessante mesmo é que elas revelam um imperador humano, com defeitos e qualidades. Os registros mostram, por exemplo, que D. Pedro enviava a Domitília desde frutas e pedaços de bolo até joias e tecidos especiais para a confecção de vestidos. "Desejando eu que, quando mecê apareça publicamente, apareças bem vestida, e decente: aí lhe mando essa peça de toquinha, mais renda, para que as mande fazer um vestido com guarnições da última moda(...) Espero que isto faça para se apresentar na Glória enervando todas que lá aparecem", diz numa das cartas. O imperador ainda a presenteou com um colar de ametistas. O colar hoje está guardado no Museu Imperial, no Rio.

Depois da proclamação da República, em 1889, a aventura extraconjugal de D. Pedro foi distorcida e usada como propaganda contra o império. A obra, portanto, além de resgatar e divulgar documentos inéditos, ajuda a compreender melhor a figura complexa que foi D. Pedro I e o período em que ele reinou. As informações são do Jornal da Tarde.

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